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No feedly (38)

por jpt, em 28.07.15

 

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Temos um Papa americano (sobre Obama em África), no Corta-fitas.

 

Está-nos nas tripas, no Espumadamente.

 

Uma bela notícia: Pyongyang: uma viagem à Coreia do Norte, de Guy Deslille, publicado em Portugal, no BD e no Leituras de BD.

 

Moçambique, sobre a exposição apresentada em Lisboa comemorativa dos 40 anos de independência, no Alexandre Pomar

 

Uma palavra de louvor a Paulo Macedo, no Estado Sentido.

 

Groucho e seus irmãos: os palhaços marxistas, no À Pala de Walsh.

 

Direita é rigor (e outras histórias), no A Barriga de Um Arquitecto.

 

Por enquanto (sobre o acordo nuclear com o Irão), no Nada os Dispõe à Acção.

 

O fim da licença de isqueiro, no Herdeiro de Aécio.

 

Marc-Antoine Mathieu (Delcourt), no Ler BD.

 

Os nomes em Moçambique, no Muliquela.

 

Onde é que eu errei?, no Domadora de Camaleões.

 

A importância das adaptações de banda desenhada, no Leituras de BD.

 

A perna é melhor que o braço (sobre "The Great McGinty"), no Escrever é Triste.

 

Ponte da Misarela, no Antologia do Esquecimento

 

NASA admite que a vida na terra pode ter começado no Alentejo, no Bioterra.

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publicado às 09:29

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(paragem de autocarro Carris, da mítica linha 21 [Rossio-Av. de Berlim], início 1980s) 

 

O meu postal anterior ("Algemado") ocasionou grande trânsito, inusitado, no blog e inúmeras mensagens de simpatia, as quais muito agradeço, a matizarem o estado (ainda mais) aturdido em que vegetei nos últimos dias. Algumas delas muito iradas, polvilhadas de receios até escatológicos, induzindo do que narrei o advento de um estado policial, o fenecer das liberdades. Caramba (oops, deixem-me explicitar que "caramba" não é "caralho" ...), não exageremos, vivemos em democracia, este cinzento sistema sempre vulnerável a alguns desmandos institucionais e a desvarios nossos, os populares. Nisso o melhor de todos. E as coisas já foram muito piores e vão sendo cada vez melhores, não linearmente como imaginaram alguns mais metafísicos mas firmemente. Pelo menos por enquanto.

 

Como o acontecido decorreu "à sombra" da mítica paragem acima retratada aqui deixo, a este propósito, uma canção até hino qu'a gente destas redondezas ouvia "nos tempos". Tão outros "tempos", que convém lembrar para percebermos que isto não vai assim tão péssimo. A ver se acalmamos o fel radical. E alguma desesperança que vai brotando, acima de tudo devido a isto da idade crescente.

 

 

 

 

 

"Take It As It Comes"

Time to live
Time to lie
Time to laugh
Time to die

Takes it easy, baby
Take it as it comes
Don't move too fast
And you want your love to last
Oh, you've been movin' much too fast

Time to walk
Time to run
Time to aim your arrows
At the sun

Takes it easy, baby
Take it as it comes
Don't move too fast
And you want your love to last
Oh, you've been movin' much too fast

Go real slow
You like it more and more
Take it as it comes
Specialize in havin' fun

Takes it easy, baby
Take it as it comes
Don't move too fast
And you want your love to last
Oh, you've been movin' much too fast
Movin' much too fast
Movin' much too fast

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publicado às 09:37

Algemado

por jpt, em 25.07.15

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Esta semana, num meio da tarde, foi assim que fui detido e algemado à porta de casa. Algo profundamente humilhante, o mais humilhante que me aconteceu na vida, uma situação para a qual não posso simular qualquer "panache". Pois não ocasionada numa  reclamação pública, em defesa de causa ecológica, cívica, religiosa, uma indignação política, alguma militância, algo que me servisse retoricamente para doirar o ocorrido. Apenas uma minudência de trânsito: o amigo que me (nos) transportava reentrara no carro para melhor o estacionar, fizera uma breve marcha-atrás distraidamente sem cinto de segurança. Seguiu-se um longo vasculhar. Os dois amigos, moçambicanos, que nos acompanhavam espantavam-se num "estes são piores do que os nossos polícias", e sabemos como são complexas as actuais relações da PRM com os automobilistas. Ao fim de um quarto de hora, e face ao olhar desalentado do nosso condutor, reaproximei-me da zona para um mero relativo ombrear, quiçá a partilha de um cigarro. Seguiu-se um surpreendente festival de pesporrência verbal e corporal, uma atitude policial totalmente descalibrada face à situação, surpreendendo para não dizer que afligindo os vizinhos que ali passavam.

 

Fui identificado. Quando, finalmente, me foram devolvidos os documentos confirmei a esquadra a que pertencia aquela equipa e informei que iria apresentar queixa. E disse, indignado com tudo aquilo, em particular com aquela caricatura de furriel miliciano aos gritos com um pobre instruendo em paradas do antigamente, "que isto é do caraças!". De imediato fui detido, algemado e conduzido à esquadra. Onde fiquei algemado a um banco durante três horas. Ao fim de duas horas, a mão direita já dormente lá me realgemaram a esquerda. Estando aberta a porta do gabinete do graduado de serviço ouvi que o objectivo inicial era uma acusação de injúrias e de resistência à autoridade. Mas alguém, porventura o próprio graduado de serviço, disse que para uma acusação de resistência eu deveria ter sido detido noutro momento. E assim apenas restou a acusação de injúrias,  a qual afirma que os "mandei para o caralho" e que repeti "isto é sempre a mesma merda".

 

Algum tempo depois assinei o auto, após me ter sido afiançado que isso não implicaria a minha anuência com o seu conteúdo. Fui então desalgemado. Também então as vozes iradas e tonitruantes apodando-me de "sô José" se desenrugaram e baixaram passando eu a "sô Teixeira". De seguida outros dois agentes, um dos quais graduado, levaram-me a Alcântara para o que apelidaram de "resenha", julgava eu que um resumo das ocorrências. Mas não é o caso, trata-se da identificação criminal, as célebres fotos cara e perfil, tão simbólicas, as totais impressões digitais e até a procura de tatuagens. Algo a que nos submetemos por "livre e espontânea vontade" como me perguntou o agente ali encarregado antes de proceder ao seu trabalho. Confesso que fiquei estupefacto, recusando espontaneamente pois ali coagido. Mas logo, e porque estes três agentes me tratavam com total urbanidade, quase a roçar a simpatia, acedi, num "faça lá o seu trabalho" muito desalentado. E assim fiquei com ficha criminal.

 

No dia seguinte fui a tribunal. Um juiz assoberbado de trabalho, dadas as férias judiciais, propôs o seu adiamento para daqui a algumas semanas. Nestes dias alguns amigos juristas avisam-me, muito dificilmente escaparei a uma qualquer pena. E ao cadastro subsequente.

 

Do que penso sobre as balizas da acção policial já aqui botei, dedicando-me então a situações liminares (repudiando os excessos críticos à polícia; repudiando os seus excessos). Não pactuo com os seus ocasionais desregramentos mas também não com as posições anti-institucionalistas, quantas vezes resquícios adolescentes. Como tal nada me move contra o necessário policiamento nem contra os seus agentes. Com alguns dos quais trabalhei ao longo da vida, estabeleci amizade e até partilhei casa. Cresci nos Olivais, exactamente nesta rua onde agora fui detido, esse "melting mot", o caldeirão sociológico do Estado Novo tardio, naqueles anos 70s e 80s prenhes de grupos adolescentes, pequena criminalidade (e não só) e tráfico e consumo de drogas ilegais, cruzei a boémia lisboeta do Cais do Sodré e Bairro Alto naqueles anos 80s. Passei duas décadas em Moçambique em constante contacto com os agentes, tantos deles em demanda de gratificações extra que lhe componham os paupérrimos salários, sem que alguma vez tenha corrompido um agente. E em nenhum lugar, em nenhuma idade, tive problemas com a polícia. Certo que tudo isso, todo este passado, não inibe que me possa eu descontrolar, "borregar". Mas com toda a certeza que me deveria dar (e dá) modos de saber sopesar o que enfrento.

 

Ficarei agora, aos 51 anos, depois de ser algemado diante de vizinhos que me conhecem desde miúdo, a cumprir alguma pena. Cadastrado. Decerto que por responsabilidade de dois agentes que se relacionam com pacatos cidadãos sob uma bitola desregulada. Mas também, e fundamentalmente, porque algo de errado me está a habitar, a fazer-me incompreender, fraquejar e errar. Talvez, talvez, o que alguns dos amigos de Maputo agora aqui de passagem, e têm sido vários, me dizem ao tomarem conhecimento do estapafúrdio acontecimento, isso do carinhoso "anda-te embora, já não és daqui". Mas ... sair daqui cadastrado? Para onde? A deixar-me assim num desalento (mais) imobilizador.

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publicado às 10:03

A propósito da Grécia

por jpt, em 25.07.15

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Pouco ou nada percebo sobre a crise grega e também sobre a que lhe é mais global. O que sobre isso consigo pensar já aqui o botei (o ponto b. deste texto de 2012). E idem sobre a portuguesa, sobre a qual resmunguei este postal em 2011. Mais do que isso só me resta ler, procurando iluminação entre o vociferar geral. Intuindo que vivemos o exponenciar (o globalizar) das situações de XIX e XX, essas do pós-abolição da escravatura e da ruralidade colonial. Que firmavam a dependência individual (familiar) para com o (pequeno) capital comercial, o endividamento estrutural, tendencialmente infinito, para com os fornecedores de bens de consumo e de investimento (em português de então conhecidos como "cantinas").

 

Hoje em dia raramente compro jornais, mais do que tudo por razões de contenção dos meus gastos. Ocasionalmente o "Público" à sexta-feira, que normalmente não me desilude. E onde habita a coluna de António Guerreiro, esse que desde há anos me parece o mais interessante dos colunistas da imprensa portuguesa. Ontem escreveu um excelente texto sobre esta situação. Como o jornal não é de acesso livre aqui o transcrevo. Uma leitura preciosa:

 

 

 

Recapitulemos as principais lições que até os mais distraídos tiveram obrigação de aprender com a crise grega: 1º) A relação credor–devedor está hoje no centro da vida económica, social e política. Ela veio substituir a relação capital–trabalho que pertence a uma fase anterior do capitalismo e introduziu uma nova técnica de poder e uma nova “governamentalidade”. Essa relação produz um novo sujeito universal que é o “homem endividado” tal como ele foi definido e analisado pelo sociólogo Maurizio Lazzarato. A principal actividade do homem endividado (tal como o seu análogo colectivo: o país endividado) é pagar. Nas antigas sociedades disciplinares, ele seria preso se não pagasse, mas as actuais sociedades não o querem encerrado porque isso seria remetê-lo para o exterior e é preciso que ele não saia do interior da esfera dos credores para continuar a pagar. 2º) A dívida é inesgotável, impagável e infinita. Foi com o capitalismo financeiro que a “divída finita e móvel” de antigamente se tornou “dívida infinita”, como a dívida do homem perante Deus. Esta dívida que não pode ser resgatada funciona segundo o modelo do pecado original: no reino dos homens, o devedor nunca acabará de pagar a sua dívida. Recordemos que, para a teologia cristã, existe uma única instituição legal que não conhece interrupção nem fim: o inferno. Mas há aqui umdouble bind: segundo a lógica do capital, um povo é tanto mais rico quanto mais se endivida. Se a dívida não fosse infinita e o devedor pudesse, num determinado momento, saldar as suas dívidas, deixava de haver capital, o capitalismo extinguia-se porque desaparecia a relação de forças entre devedores e credores e a dominação política e a assimetria que essa relação supõe. Lazzarato, mostrando que o capitalismo consiste em encadear dívidas umas nas outras, até elas se tornarem infinitas, estabelece uma analogia entre o funcionamento do crédito e a condição em que se vê Joseph K, a personagem de O Processo, de Kafka. 3º) Apesar de a dívida ser impagável e infinita, é necessário manter publicamente a aparência (uma crença que deve circular publicamente) de que ela é finita e pagável. A dívida da Grécia é tão infinita como a de muitos outros países. Mas o problema é que, por várias circunstâncias, ela entrou no campo de uma racionalidade que lhe retirou a máscara que protege muitas outras. Sem essa máscara, ela exibiu-se como monstruosa, isto é, algo que se mostra e, assim sendo, cresce sem controlo. O capitalismo financeiro não vive sem o motor da dívida, mas precisa que se mantenha a promessa de que ela será honrada. Honrá-la não é pagá-la, é manter a possibilidade da fuga em frente. A catástrofe dá-se quando essa fuga é interrompida. 4º) A moeda especificamente capitalista é a moeda de crédito, a moeda-dívida, e não a moeda-troca. O capitalismo financeiro não tem nada a ver com o doce comércio da moeda-troca. Aí estamos numa relação simétrica. A racionalidade do capital é a de uma relação assimétrica. Trata-se de uma “racionalidade irracional” cuja condição normal é o “estado terminal”. 5º) O discurso dos economistas pertence hoje, de direito, à mesma ordem do discurso dos padres e dos psicanalistas: esta é a conclusão a retirar do que foi dito no ponto anterior. 6º) O capitalismo sempre foi capitalismo de Estado. Deleuze e Guattari já o tinham dito em 1972, no Anti-Édipo, mas agora percebemos perfeitamente que o capitalismo nunca foi liberal. A crise grega mostrou-nos claramente até que ponto se deu a integração e a subordinação do Estado à lógica financeira: o Estado age por conta dos credores e das suas instituições supranacionais.

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publicado às 08:32

Parabéns VA

por jpt, em 15.07.15

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Hoje é o aniversário da nossa VA, sempre mergulhada no seu quotidiano marinho. Os meus mares são outros, de menos ondas e olhando-os sem pranchas. Mas sei que ela também os gosta, ainda que assim, "flat". Por isso deixo-lhe este meu "cliché" a ilustrar os parabéns, os desejos de felicidades, de boas ondas. E de ocasionais postais.

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publicado às 01:17

(N)Uma feijoada de lulas

por jpt, em 15.07.15

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É o 14 de Julho mas não francesamos. De manhã estupefacto-me e iro-me com mais uma dolorosa tenaz burocrática, a verdadeira malevolência em formato impessoal. E logo decido que é a última vez, desisto aqui. Sigo para almoço, com duas amigas já de longa data, coisas de partilharmos Maputo. Uma por lá, agora há já década e meia, outra já cá depois de décadas fora do país. É ela que nos presenteia com uma opípara feijoada de lulas, saborosíssima. Eu voraz, elas senhoras. Falamos, nós ambos, os por cá, esmagados. A nossa amiga dizendo-nos talvez exagerados, propondo-nos outro olhar. Nós a lembrar-nos do quantas vezes teremos dito isso ao longo dos anos a outros então já torna-viagem. Mas agora a resmungarmos minudências, incapacitados. São estas que mais me ferem, a lembrar-me dos quantos dos nossos serões d'antes, passados a resmungarmos e analisarmos, com paixão e veemência, as majorências, aquilo do mundo. Mas agora assim, nós tão mais menos. Já não sei se sou eu se a dona da casa que nos resume, mas é como sendo nós um coro: "Este país não é para velhos!", e já o somos. Como três pratos da feijoada de lulas. Depois, um pouco depois, bebo uma água das pedras, velho gasto que estou. E fico a matutar, o quanto preciso eu de passar a beber "soda water"´. Não há outra via.

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publicado às 00:54

O pai da criança

por mvf, em 14.07.15

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O acordo obtido entre a Grécia e a tróica a que o grego chama instituições, tem, ao que parece, dois pais e nenhum deles se chama Angela Dorothea e fica-se a saber que o fauno Hollande somente se fez passar por cegonha para trazer a boa nova pendurada no bico não tendo, afinal, qualquer  outra responsabilidade no fe(i)to.

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Para os cépticos e tele-excluídos em verdade vos digo que  vi na TV o primeiro ministro português atirando esta com bonomia e humildade:

“Devo dizer até que, curiosamente, a solução que acabou por desbloquear o último problema em aberto – que era justamente a solução quanto à utilização do fundo – partiu de uma ideia que eu próprio sugeri. Até tivemos por acaso uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema” e remata o nosso Pedro com a mesma facilidade e no melhor tom coloquial: “Acho que este acordo mostra que é necessário, era necessário e continua a ser necessário recuperar a confiança entre todos aqueles que estavam a negociar. Eu recordo que as últimas negociações foram abandonadas pelo Governo grego, que decidiu convocar um referendo e deixar, portanto, todos aqueles que estavam a procurar um acordo nas negociações a falar sozinhos”.

 

Mais tarde leio que uma estrela brilhante do firmamento socialista (Ana Catarina Mendes) declarou - imagino que em  bicos dos pés e esfregando as mãos de satisfação com a perfomance internacional do seu tão amado como incontestado líder - que "este acordo só foi possível graças ao forte empenho dos socialistas, que uniram esforços, construíram pontes e demonstraram capacidade negocial em todo os momentos" lembrando aos distraídos que "Na última semana o secretário-geral do PS participou em várias reuniões de líderes do PSE e reforçou a necessidade de unidade e de um caminho alternativo, tendo contribuído para um maior empenhamento na evolução de posições da família socialista”.

É assim, ninguém gosta de ficar para trás e o apoio efusivo que Costa garantiu à vitória do Syriza mandando o velho amigo PASOK dar uma volta ao bilhar grande são águas passadas (desculpem voltar sempre a isto mas a cabra da memória atraiçoa-me...).

Estão pois de parabéns todos os pais mães, padrinhos, tios, cães, gatos, gregos, troi(c)anos, europeus (incluindo alemães e franceses), a porteira do Varoufakis que está sempre a contar as conversas que ouviu nos corredores, ao injustamente esquecido Triantafyllos Machairidis que alinhou no benfica há uma dezena de anos, bem como a outras instituições envolvidas no processo. Simultanea e sinceramente desejo um futuro risonho ao nascituro ( ainda não está todo cá fora, note-se...) e embora nunca duvidando das capacidades fabulosas de Passos & Costa nestas como noutras questões, um dilema se levanta: 

Quem escolher na hora da verdade?

Deixaram-me entre o martelo e a bigorna e talvez um teste ao ADN pudesse ajudar na decisão.

 

1604532_10202963786836073_1631615331_n.jpg                                                     Roda dos Enjeitados

                                                     Mosteiro de São Dinis, Odivelas

                                                                                        ©miguel valle de figueiredo 

Com pena de não ser dado a artes divinatórias, lembro com eterna saudade o grande Zandinga que por esta altura perguntaria às cartas no caso da coisa correr mal - longe vá o agoiro! - a quem ficaria atribuído o poder parental. Mais a seco, adivinhando contra-natura (minha) a posição dos putativos progenitores podemos sempre recuperar a velha Roda dos Enjeitados ( ou Expostos ) dos mosteiros e deixar lá a rosa enjeitada... Talvez Wolfgang Schäuble assumisse a desgraçada criatura. Ao menos com ele sabemos com o que contar.

 

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publicado às 13:58

 

Raramente a música popular europeia tocou o sul tão assim ...

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publicado às 22:26

No feedly (37)

por jpt, em 13.07.15

 

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They hired the money, didn't they?, no Herdeiro de Aécio.

 

O último artigo de Pacheco Pereira, no Abrupto.

 

Espaço 1999, a lendária série televisiva, lembrada no Leituras de BD.

 

Ted Benoit, no Por Um Punhado de Imagens.

 

Antes ingénuo do que cínico, no Abencerragem. E Do respeito pelos outros (sobretudo nos maus momentos), no The Cat Scats.

 

Os indomáveis (sobre o processo grego), no Delito de Opinião.

 

Descoberto o fóssil mais antigo do grupo que originou as aves, no Bioterra.

 

Merkel, a Europa. Uma história de amor, no Domadora de Camaleões.

 

Nós, a luz e a visão, no De Rerum Natura.

 

Dali e Harpo (Marx), no O Homem Que Sabia Demasiado.

 

A metro, no A Origem das Espécies.

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publicado às 20:43

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A mulher do pm português, Laura Ferreira, tem um cancro. Os tratamentos provocaram-lhe, como é habitual, a queda do cabelo. Viajou com o marido e foi fotografada, calva.

 

Dantes escondia-se esta maleita e, até postumamente, referia-se-lhe como uma "doença prolongada" e sussurrava-se a sua presença em corpos alheios. Hoje em dia não. Pois a doença se vem tornando menos letal. Porque a robustez psicológica dos pacientes vem sendo considerada como factor de resistência. E, mais do que tudo, porque vem mudando a ideia de dignidade, integrada do estado doente - a doença não é uma vergonha, um pecado ou uma praga.

 

Mas agora algo flutua:  a "esquerda" socialista rejubila com um escabroso texto de Estrela Serrano, doutorada no ISCTE (em que raio de casa me fui eu meter, que gradua este tipo de gente) e professora de jornalismo (não surpreende o "estado daquela arte"). No qual critica o pm e a sua mulher por terem decidido expor a doença. A esse seu lixo chama, arrogante, "análise crítica dos media", enquanto manipula o seu próprio "pensamento" intitulando de ignorante qualquer leitor que "confund[a]e uma crítica ao jornal com uma crítica ao primeiro-ministro", como se não fosse este (e a sua  mulher) directa e explicitamente visado(s) no texto que botou.

 

A "esquerda" socialista, sempre pressurosa em afixar o "orgulho homossexual", a dignidade da sexualidade, escandaliza-se gritando "demagogia" se alguém afixa (dolorosamente, decerto) a dignidade da doença. A "esquerda" socialista, sempre lesta em solidariedades com o "género" e mais o transgenderismo, escandaliza-se e grita "demagogia" se uma mulher cancerosa surge calva, sem lenço (um hijab sanitário?) ou cabeleira. Mas nada dirá, nem nunca disse, se um homem canceroso aparecer calvo. Em suma, uma mulher, se doente, não se deve "expor" mas sim resguardar-se, decerto que por poluente (da razão alheia, daí a acusação de demagogia, de aproveitamento político). Nada disso com um homem.

 

Mais ainda, aos da "esquerda" socialista, sempre ufanos da sua "lusofonia", da sua "ligação privilegiada" com África, lusófona e solidária, nem lhes ocorre que, para alguém que tenha nascido e crescido em África (como é o caso de Laura Ferreira), tão mais normal seja uma mulher de cabelo rapado, sem o ónus da excentricidade que ainda tem na Europa.

 

Finalmente, aos da "esquerda" socialista, sempre tão "republicanos", nem lhes ocorre que se alguma crítica há neste caso é a de que numa república não há qualquer justificação (nem prática, nem simbólica nem mesmo protocolar) para que os governantes se desloquem em funções acompanhados dos cônjuges. Todos o fazem (começando por todos os presidentes), todos assim violando o espírito da república.

 

E é gente desta que se diz (doutorados ou não, professores ou não, jornalistas ou não) a reflectir sobre o país. A querer-se poder.

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publicado às 11:09

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 O cartoonista Bob sintetiza no "The Telegraph" a enorme coragem e capacidade negocial que o sempre ridente Tsripas e a pop-star Varoufakis demonstraram à frente do governo grego marxista-leninista e neo-nazi (coisa a que os revolucionários dos cafés de Lisboa parece não terem dado qualquer importância enquanto entre duas bicas e um pastel de nata confundiam o sonho com a puta da realidade...).

Sem outras considerações e com os resultados à vista, lembremos que pelo caminho ficou o enorme regozijo do inefável António Costa apoiando a posição radical do Syriza  e que, impante, declarou em momento de ejaculação precoce ao mesmo tempo que renegava a antiga amizade do PS com o irmão helénico, o velho PASOK:

Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha

Um entusiasmo juvenil que mandou repetir pela boca do porta-voz do PS, um tal Porfírio qualquer coisa ( não fixei o nome, peço desculpa) assim que se souberam os primeiros resultados do referendo num vigoroso OXI que, afinal, para Tsripas & Cª não serve sequer para limpar o rabo a um cão.

 

 

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publicado às 11:02

Temos #45?

por jpt, em 10.07.15

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publicado às 17:09

Vanitas vanitatum et omnia vanitas

por mvf, em 09.07.15

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A MAC - galeria de arte Movimento Arte Contemporânea - para celebrar o seu 21º aniversário inaugurou uma "colectiva" com artistas plásticos amigos da casa e, por causa da exposição "Prevent'Art Lx44" feita a meias com o amigo-pintor Miguel Barros - que muito apregoada foi aqui no blogue pelos comparsas Ana Leão e José Teixeira num claro compadrio... - recebi um honroso convite para participar na mostra com uma fotografia que ficaria pendurada entre obras de grande mestres das artes plásticas como Cruzeiro Seixas, Hilário Teixeira Lopes, Bual, Luisa Nogueira, Chicorro, Manuela Pinheiro, Malangatana, Matilde marçal e Noronha da Costa entre muitos outros. 

Inflado o ego, único fotógrafo exposto, lá fui disfarçando um certo orgulho por ver a Fotografia - e não somente aquela fotografia - dignificada, confesso que estava curioso para ver como se aguentava "Insónia" (uma imagem feita em Nova Iorque no já distante ano de 2000) no meio daquelas vedetas da pincelada. Não sai tremida a "Insónia", posso dormir sossegado com a vaidade arrumada.

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A MAC vem desde 1997 distinguindo os artistas plásticos que no entender dos seus responsáveis se destacaram e este ano durante a função - Álvaro Lobato Faria e Zeferino Silva, que a culpa não morre solteira! - juntamente com Mestre Hilário Teixeira Lopes divulgaram os escolhidos para receberem os prémios MAC, um troféu, uma peça do Professor Escultor João Duarte que devia dispensar apresentações tal é o seu percurso nacional e além-fronteiras.

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Assim the MAC 2015 goes to:

- Prémio MAC Hilário Teixeira Lopes: Martinho Dias
- Prémio MAC Escultura - Paulo Canilhas
- Prémio MAC Pintura - Hélio Cunha
- Prémio MAC Prestígio - Miguel Barros
- Prémio MAC Vida e Obra - Roberto Chichorro
e parabéns para os galardoados!!!

 

Para acabar a história deixo  esta ( e juro por ser verdade que fiquei um pouco embaraçado pelo inesperado, sem nada para dizer):
Pela segunda vez a MAC decidiu que a Fotografia merecia ser distinguida e, desta feita, o "pobre de mim" foi o escolhido para receber o troféu.
Só posso agradecer aos "MACs" muito e do fundo do coração a honra e, ao mesmo tempo que vos peço desculpa pela vaidade da circunstância e descarada auto-promoção, gostava de vos convidar a visitarem a exposição que está nos dois espaços da galeria (Av. Álvares Cabral, nº58 e Rua do Sol ao Rato, nº9c).

Horário:
Até 27 de Julho de 2ª a 6ª das 15h às 20h, aos Sábados das 15 às 19h
A exposição reabre a 17 de Agosto e encerra a 10 de Setembro com os mesmos horários

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publicado às 20:53

Tintin no Congo

por jpt, em 08.07.15

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Coisas de aniversariar. Mãos amigas ofertaram-me este "Tintin Akei Kongo", a edição traduzida em lingala, mais do que provavelmente uma iniciativa do iconoclasta Ilan Manouach - como se refere no blog "A Garagem", entre outras alusões -, um artista que já pontapeou os Schtroumpfs de Peyo e o Maus de Spiegelman, e que aqui "permanece" anónimo mais do que provavelmente devido a razões legais.

 

O interesse desta edição, numa língua que desconheço? A questão do racismo explícito nesta obra de Hergé (início de 1930s), bem à moda daquela época europeia. E o facto de assim permitir a apropriação endógena (os falantes de lingala) do seu conteúdo. Esta será a menor pois estou crente, ainda que desconhecedor do contexto do ensino escolar nos países onde se fala a língua, que a maioria dos leitores de lingala o será também em francês, língua oficial na maioria daqueles casos nacionais. Ou seja, neste âmbito o mais interessante será a apropriação do texto e a sua possível reformulação em termos de linguagem - uma questão muito bem levantada por Pedro Moura na parte final deste texto. E também o impacto que uma edição destas poderia/deveria ter no universo de recepção da obra de Hergé, quase um culto, desmontando-lhe as características verticais, até hieráticas, muito fruto do tipo de tratamento editorial/industrial actual.

 

O enquadramento geral é o referido racismo de Hergé, matéria recorrentemente denunciada. Dou-me muito mal com esta invectiva. Homem do seu tempo, "espírito de época" transpirado? Com toda a certeza, e mais do que tudo na refracção dos estereótipos vigentes, mas também na forma como eles se foram transformando ao longo dos 50 anos da sua carreira - facto visível nas próprias reformulações que foi fazendo nas reedições dos primeiros álbuns de Tintin (já para não falar da auto-censura ao primeiro). Mas estereótipos que continuam, alguns. Estarei eu a ser racista quando faço uma ligação electrónica quando escrevo "lingala", presumindo que quem aqui passe não saiba exactamente do que se trata? Estará o bloguista do simpático "A Garagem" a ser racista quando reduz a "dialecto" a língua lingala - desvalorização colonial e pós-colonial tão constante, e tão "barbarizadora" dos contextos africanos - enquanto louva esta edição? Ou estaremos apenas imersos no desconhecimento, farripas do(s) "espírito(s) de época(s)"?

 

O próprio conservadorismo de Hergé, até dito colaboracionismo (com o nazismo), questão que é hábito levantar, é resmungável. Há pouco conversava em Antuérpia com uma escritora, ali estrangeira, mulher empenhada e notoriamente "à esquerda". Referia-me ela, e também a propósito de Hergé mas não só, os seus antecedentes familiares flamengos, como estes tinham vivido o advento da II Guerra Mundial. Como naquele país esse foi também lido no seio das rivalidades (políticas, económicas, culturais) entre flamengos e valões. Como levantaram a então recentíssima memória do destratamento ("carne para canhão") do contingente flamengo na I Guerra Mundial, subordinado a um oficialato valão. Um Hergé flamengo (neerlandês) algo titubeante no início da avalanche alemã e do terror que lhe foi acoplado? Desse contexto às imputações posteriores vai um mundo de diferenças.

 

Há alguns meses fiz uma  intervenção sobre o banda-desenhista Joe Sacco. E depois escrevi um pequeno texto sobre isso, onde inclui um bocadinho sobre Hergé. Repito esse excerto aqui. Enquanto folheio, deliciado ainda que iletrado, este "Tintin Akei Kongo": 

 

Mas, para entender o “espírito da época” actual, atente-se como a crítica ideológica acomete “Tintin no País dos Sovietes” (Hergé [1930]) e “Tintin no Congo” (Hergé [1931]) (p. ex. Hind 2010; Moura 2012). E como se aparta o “Tintin na América” (Hergé [1932]), imediatamente subsequente (e partilhando algumas características estilísticas com as primeiras aventuras). Neste caso surge uma relativa neutralidade na recepção, esta protegida pelo anti-americanismo (e anti-industrialismo) constitutivos deste actual eixo de reflexão crítica, nisso tão coincidente com o conservadorismo de então de Hergé, tão patente no livro. Coincidência profunda na história intelectual que Revel (2002) abordou, ligando o “criticismo” actual ao tardo-romantismo de XIX, adverso à democracia, à sociedade de mercado (pois ligado à ambição reaccionária da manutenção da sociedade de estatutos), nesse amplexo adverso à sociedade americana. 

 

Mais ainda, é notório que a crítica à obra de Hergé enfatiza esses primeiros livros, em particular “Tintin no Congo” – particularmente no âmbito das sensibilidades pós-coloniais -, sem atentar que, para além da reprodução de ideias presentes no senso comum europeu de então (e as utopias evangelizadoras e progressistas que acompanharam o processo colonizador), o trabalho não só foi explicitamente secundarizado pelo próprio autor aquando da sua produção, mas também não reflecte as concepções e projectos coloniais do seu contexto (belga) e, até, os recursos literários então utilizados (Halen 1993). Mais ainda, esquecidas são as complexidades de obras mais tardias como “As Jóias de Castafiore” (Hergé 1963), ataque aos preconceitos contrários aos ciganos – e logo numa temática tão gostada pela “comunidade antropológica”. Como também a reflexão sobre as migrações forçadas, a exploração no seio da globalização, a permanência de polimorfas escravaturas – assunto candente, inclusive abordado por Sacco -, tende a esquecer o pioneiro “Carvão no Porão” (Hergé 1958), que antecipa em décadas outros registos (denunciatórios) sobre migrações forçadas. Ou a crítica-denúncia da sua fase final, em “Tintin e os Pícaros” (Hergé 1976), um legado actualíssimo de corrosiva descrença nos guevarismos.

 

É certo que estas obras poderão ser menosprezadas em certos sectores por razões de moda estética – o cansaço face ao classicismo, a “ligne claire” da BD “franco-belga”, de que Hergé é expoente máximo, e, quiçá, um intelectualismo adverso ao sucesso comercial desta corrente. Mas acima de tudo são punidas por não estarem aprisionadas pela actual cabotagem ideológica. O que se torna interessante é que a visão crítica sobre o autor se prende com uma linearidade analítica, tão inversa à apresentada pelo cume dos estudos culturais, explicitado na abordagem riquíssima e complexa de Edward Said ao trabalho de Joseph Conrad (Said 2000). Neste sentido a recepção actual da obra de Hergé, e de tantas outras, seja com sinal positivo ou negativo, deriva de um ambiente onde a prática canonizadora é exercida num estrito ambiente sociopolítico de incidência cultural. Sublinhando algo que Peeters (2003, 15) recorda: “Régis Debray [em Le Suite et le Fin (Gallimard, 2000)] mostrou bem como o intelectual, nascido com o caso Dreyfus como defensor do inocente injustamente acusado, se transformou pouco depois no procurador intransigente: deixando para outros as subtilezas do direito ou a análise minuciosa do contexto, proclama desde logo o seu conflito.”

 

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publicado às 06:30

Maria Barroso

por mvf, em 07.07.15

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Morreu Maria Barroso. Conheci de raspão em meia dúzia de ocasiões, foi sempre muito simpática comigo mas não posso dizer mais do que isto. Sobre a sua vida pública tratam os jornais e a sua orientação ideológico-partidária pouco me interessa porque, pelo que  alguns amigos que a conheceram de perto sempre me disseram (e do pouco que vi), era uma Senhora, uma Amiga fiel como devem ser os Amigos e Mulher de enorme capacidade, o que ultrapassa, ou deve fazer ultrapassar, diferenças políticas. Fiz este retrato na apresentação da candidatura de Elísio Summavielle a presidente da Câmara Municipal de Mafra, um indefectível de Maria de Jesus Barroso, que aqui lhe exaltava as qualidades com uma energia extraordinária para o que imagino ser possível em idade avançada. Tenho algum orgulho neste retrato, um bom momento se me perdoam a imodéstia, que fica para eles, os seus Amigos, sobretudo para eles, como memória futura das pessoas relevantes  que nos vão passando pela vida.

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publicado às 17:58


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