Quinta-feira, 23.05.13

Manzarek

 

Morreu há dias, aos 74 anos. Ouvi muito os "Doors" na idade, aquilo do "rei lagarto". Depois? Depois não. Lembrando agora é até surpreendente, terá sido a minha banda de adolescência (que densidade para "boys band", impensável para os tempos do hoje "lite"), que aos restantes do culto de então continuei a ouvir (muito, Lou Reed, Neil Young, Dylan; de quando em vez, uma mala cheia).

 

 

Enfim, nunca fui (nunca iria) e nunca irei ao tal cemitério em Paris. Mas ao ler da morte do já velho Manzarek fui ouvir Doors. Para perceber que ainda tenho um CD, só um, que a minha adesão é do tempo do vinil e nem foi reconstruída. E assim lembrar a quantidade de vezes que com eles me deixei ir, e tanto, também ao som daquele orgão. "Querida", onde/quando se apagou "o meu fogo"?

Ficam aqui duas das minhas preferidas. Que, até sorridente, concluo agora serem ainda muitas:

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Quarta-feira, 22.05.13

Costa do Sol

Há alguns dias, lá fui ao meu "bye, bye, Costa do Sol". Domingo de manhã, tirei algumas fotos aos troncos abatidos. No ainda areal trabalhadores afadigavam-se a arrastar outros tantos, ou mais. Sou velho nisto, sei bem que nunca se fotografam pessoas sem pedir licença, nem que seja por aceno. Pois estava eu a fotografar o que aqui se vê, nacos vegetais, ali defronte à actual (por quanto tempo?) cooperativa de artesãos macondes, quando um dos trabalhadores, provavelmente capataz, começou aos gritos, como se eu estivesse a cometer uma qualquer ilegalidade. Ou, pelo menos, imoralidade.

A idade abateu-me e a época derreou-me. Percebi bem que se fosse há algum tempo logo me teria insurgido contra o atrevimento do homem, pois não há nada, nem lei escrita nem costumes, que me impeça de fotografar árvores caídas. Mas agora encolhi os ombros e meti-me no carro. A pensar em quem teria dito ao homem, ali a fazer o seu trabalho o melhor que sabe, com toda a certeza, que é proibido fotografar a desanimadora paisagem.

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Segunda-feira, 20.05.13

A renovação do título de campeão nacional

 

Felicidade cá em casa. Pois o nosso sobrinho (e primo) Francisco Alves acaba de renovar o seu título de campeão nacional sub-20 de surf, culminando esplendidamente a sua carreira júnior, enquanto vem somando sucessos já no escalão profissional superior. Pois anteontem terminou o Moche Projunior 2013 na praia internacional do Porto (reportagem aqui). Com mais um sucesso.

 

 

O Francisco (Alves) está a cumprir o seu sonho e a seguir o seu caminho. Que persegue com afinco, dedicação e trabalho. Que os deuses das águas e os patrocinadores o apoiem, o quanto ele merece. Por ele, claro. E pelos sorrisos vaidosos com que as suas admiradoras me enchem a casa.

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Adopção por homocasais

 

Em Portugal votou-se agora favoravelmente a possibilidade dos casais homossexuais adoptarem crianças. Uma pantomina, uns deputados ausentaram-se num "vou ali e já venho" para não votarem, partidos deram liberdade de voto (como é possivel que um deputado não tenha sempre essa liberdade? e se há restrições a esta, que raio de hierarquia existe, que nas questões cruciais como esta cada um vota como quer e nas comezinhas das aprovações quotidianas há limites?).

Marinho Pinto, o populista com que a esquerdalhada anti-democrática vibra, vem agora em sentido contrário, negar a adopção homossexual e apupam-no. O que tem piada. Os "campanhistas" homófilos continuam as suas execráveis campanhas, tipo "os heterossexuais abandonam as crianças que nós queremos adoptar" - não, o que choca não é apenas o desrespeito pelo facto de pessoas morrerem e deixarem orfãos. É também a malfadada culpabilização sobre as pessoas. A mesma escória "gayófila" que agora culpabiliza os pais biológicos que abandonam crianças passíveis de adoptar é a escória que em torno do aborto (dita "interrupção voluntária de gravidez") se fartou de contextualizar, socio e culturalmente, as pobres mães "obrigadas" a abortar (ou a abandonar os recém-nascidos), assim "desculpabilizando". Agora, porque dá jeito à retórica, recupera-se a malfadada "culpa" (já agora, aquela "culpa" que submergiu os homossexuais durante tanto tempo).

E continuo a ouvir e ler o medíocre argumento de que é melhor entregar as crianças das instituições onde são mal-amadas aos casais homossexuais, uma espécie de mal menor. E estes surgindo como uma solução de última instância, a ficarem com o refugo adoptável. Ninguém quer o estafermo? Então que fique para os bons dos homossexuais. E é isto que os "campanhistas" verbalizam, sem qualquer pudor.

Deixemo-nos de coisas, como disse uma vez Manuela Ferreira Leite, o casamento serve para procriar (produzir filhos, criá-los e regular a atribuição dos bens). O resto vem por acréscimo, do Corin Tellado às novelas brasileiras passando por Bollywood e as comédias românticas da velha tarde de cinema. Então a esquerdalhada homófila, ignorante e raivosa, atirou-se ao ar com o óbvio assim afirmado. 

O casamento serve para (pro)criar. É esse o fundamento da instituição, muito para além das coisas de cada um. Como tal se se legislou a possibilidade do casamento homossexual isso traz, obrigatoriamente, a possibilidade de adoptar (e do acesso às modalidades de procriação assistida). Apenas a torpe hipocrisia do legislador de então permitiu esta delonga. Nisso se sublinhando a pacóvia cobardia daqueles deputados, os de então e os d'agora, os da "liberdade de voto" e os do "vou ali e já venho".

E é tempo de abandonar, de vez, esta miseranda e desprezível retórica culpabilizadora adoptada pelo movimento homófilo. Padresco.

de jpt às 09:14 | elo do post | comentar | partilhar | sublinhar

Vieram aí os russos?

 

 

Há dois meses foi no Chipre: foram-se aos depósitos do povo, que é cipriota, e pimba, sacaram-lhes parcela. Na altura botei que um dia destes iriam aos dos outros, que não são cipriotas. Mas logo foi justificado o acontecido, ao que consta os bancos cipriotas estavam atulhados de dinheiro russo, sabe-se lá exactamente porquê, e que foi essa a razão do saque realizado.

Ontem ao jantar sou avisado por voz algo preocupada. A notícia até já tem dias, mas na azáfama cá de casa nela não atentáramos: o governo português vai avisando, acima dos 100 000 euros de poupanças a gente não poderá estar descansada (e abaixo também não, direi eu, que isto do "sacro[e]ssanto" respeito anunciado pelo ministro tem "algo que se lhe diga"). Decerto que os russos vieram por aí abaixo, sem que percebessemos, e encheram o banco público dos macro-investimentos mal parados [ai a CGD, administrada por mandarins dos(s) partido(s)] e os grão-bancos privados. Foi isso, abramovichámo-nos sem ver?

A lógica actual é simples: vai-se às reformas e tira-se-lhes parte. Sendo que a esmagadora maioria dos reformados não será propriamente muito abonada. E vai-se aos tipos que fizeram algumas poupanças (por maior que seja a demência populista: um tipo que tem 100 000 euros não é, seguramente, um oligarca e, muito menos, um plutocrata). Ou seja, vivemos anos a ouvir dizer que se "gastou demais" (e sim, a sociedade gastou demais, o que é bem diferente do que dizer que as pessoas consumiram demais, quais viciosos ou prostituídas imbecis). E agora pune-se aqueles que tiraram do consumo, os que descontaram para a reforma e/ou aforraram.

Nã, Gaspar até pode estar bem-intencionado (eu acho que sim) e ter várias razões (dado que a "Razão" ninguém tem). Mas, nã (repito), assim não se vai lá. Qual a solução?

Desconfio que este colchão Onix-Bristol não dê a segurança necessária, que logo brotariam os assaltos à mão-armada. Ou, pior, a proibição de levantamentos bancários. Daí que o melhor será mesmo ir até Bristol depositar o caixote preenchido durante a vida. Ou algum visitante tem melhor conselho?

Domingo, 19.05.13

Politeísmo (38)

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O texto de apresentação do novo livro de Aurélio Furdela

(o texto que fiz para a apresentação de "As Hienas Também Sorriem" de Aurélio Furdela, esta semana apresentado em Maputo)

 

A Sambrowera em Aurélio Furdela

 

Com este “As Hienas Também Sorriem”, agora editado, Aurélio Furdela entrega-nos o seu quarto livro nesta última década. Após uma peça teatral, “Gatsi Lucere” de 2005, essa que pode ser considerada fruto da sua já vasta experiência de dramaturgia, em particular no teatro radiofónico. E de duas colecções de pequenas narrativas: “O golo que meteu o árbitro” de 2006, constituída por cruzamentos de episódios, onde transpirava a sua actividade como cronista do mundo do desporto, avisadamente tomando este como um palco da vida quotidiana, seus desenlaces e desmandos. E a inicial, já longínqua, “De medo morreu o susto” de 2003, no qual anunciou uma prosa lesta, até seca, irónica, denotativa do curso do real, e também grávida das preocupações ficcionais muito presentes em Moçambique. As quais vão afirmando a urgência de estruturar este novo mundo d’agora, como se ele estabilizável sobre um sedimento, o qual se imagina e (des)espera produtivo, o das cosmologias tradicionais.

 

Creio que este recurso constante à sempre dita “tradição”, a qual, quando olhada do contexto social urbano letrado, tantas vezes se transmuta num mundo exótico nacional – ainda que assim não o seja dito -, não provém da continuidade da crença nessas concepções espiritualistas no seio dos escritores. Nem mesmo será apenas eco de um ponto de tomada de vista altaneiro (mesmo que estando inconsciente de a isso se ter içado), até talvez sobranceiro, a partir do qual os escritores, sociologicamente distintos e procurando (re)afirmar essa distinção, procurariam retratar um “povo” tal e qual ele é, tal e qual ele crê, com as suas “curiosidades” particulares. Parece-me que será mais um eixo discursivo que redunda, talvez, apenas no inventar de um “povo” tal e qual ele aparenta ser.

 

Estes rumos narrativos ficcionais, apresentando um constante convívio com as perspectivas religiosas da população, transpiram laivos do velho romantismo europeu, este debruçado sobre a “alma” popular, suas energias e potências, até salvíficas. E nesse campo associam-se com essa preocupação constante dos tempos correntes, a da procura de uma definição, fluída que seja, da “moçambicanidade”. Esses recursos discursivos, “tradicionalistas”, constituem uma tendência firme na literatura moçambicana das últimas décadas, e reproduzir-se-ão em parte pela sua consagração nacional, e até internacional, das obras de autores que vêm prosseguindo nesses universos (com o óbvio relevo de Mia Couto).

 

Mas não só. Pois creio que através dessa arquitectura ficcional, desse constante convívio com os seres transcendentes locais, espíritos intervenientes e super-activos, intentam os escritores moçambicanos um esconjuro da actual desordem, essa que (o)corre, furiosa. Fazem-no, sonham-no, convocando a dita “tradição” e os seus seres fantasmáticos, os quais sempre surgem, por brutais e até cruéis intervenientes que afinal se desvendem, como actores no real, a este atribuindo algum sentido, ou pelo menos possibilitando algumas pistas dessa difícil via, a do entendimento deste actual.

 

Nessa vontade demonstrativa mas também interpretativa, dotadora de sentido, nota-se uma grande ênfase literária no olhar sobre a deriva do mundo rural, um processo que vem confluindo como o neo-urbano moçambicano. Com isto significo todo esse universo dos “bairros” tantas vezes ditos “subúrbios”, esses que vários especialistas de outros saberes afirmam periurbanos. Termo que sempre indicia algum défice, como se a estes contextos lhes faltasse alguma coisa, como se fossem algo menos. Quando serão eles, afinal, os múltiplos urbanos que se vão fazendo. E vivendo.

 

Pois, de facto, estes ditos “bairros”, os tais subúrbios, as personagens reais e ficcionais que os constituem, são um verdadeiro “núcleo central”, sendo o seu relevo a sua efectiva ausência de défices, se sociologicamente falarmos. Entenda-se, os “bairros”, o dito caniço que é de blocos, são o verdadeiro “Bairro Central”. Se-lo-ão da(s) cidade(s), esses processos turbulentos e explosivos, são-no, evidentemente, nas preocupações literárias nacionais.

 

Foi neste eixo literário, incidindo sobre a vida circundante e convocando a episteme religiosa popular, que conheci a obra de Furdela, então agitando aquele “De medo morreu do susto”. Não afirmo isto como uma classificação desmerecedora, uma catalogação redutora da sua individualidade na escrita. Atribuí-lhe esse lugar apenas como um aconchego de leitor, que procura sinalizar a paisagem literária que intenta cruzar. Algo que o seu subsequente texto histórico “Gatsi Lucere”, uma óbvia tentativa de retratar uma mentalidade antiga de séculos e de indiciar as continuidades entre essas dimensões intelectuais e as actuais, bem como uma homologia “cronográfica” de preocupações sociais, me sublinhou, ajudando-me a reservar-lhe, a preservar-lhe o referido lugar, marco num sempre provisório campo literário. Mas um lugar muito específico também, este o atribuído a Furdela, especificidade que lhe vinha da prosa, nada demorada, incisiva. E, acima de tudo, da ironia com que encarava esse eixo contínuo real-transcendente, tão sacralizado/respeitado (e assim inquestionado) em tantos outros autores, mas assim não surgindo pelas suas teclas, e como tal assim tão raro em Moçambique. Disso exemplo é o delicioso Mava-Vuka (no conto inicial do “De medo morreu o susto”), esse turista celestial, que já visitara o além por três vezes, íntimo que era da morte, sempre nos avisando “A morte é uma viagem digna de ser empreendida” … “desde que se conheça o caminho de volta.” (15). Mostrando bem que os caminhos do autor se anunciavam outros do que os habituais.

 

Mas ainda assim, ainda que consciente da particularidade de Aurélio Furdela, e também por tudo isto, contextualizador, que venho referindo, tanto me surpreendi ao ler o novo “As hienas também sorriem”. Se o estilo formal da verve de Furdela se mantém nestas 8 narrativas, algo de muito profundo mudou. Algo que se poderia já adivinhar em “O homem com 33 andares na cabeça”, anteriormente incluído na colectânea colectiva “A Minha Maputo é …” de 2012, e que surge a encetar este novo livro.

 

Pois agora à anterior ironia desvendadora sucede, às vezes, o sarcasmo, até rude, sem cerimónias, agressivo, como no final “Doutor Seringas …”. Mas trata-se de um sarcasmo que não é o tom dominante, mas sim sintomático, denotativo do ambiente moral que a obra carrega. A qual vem submersa pela realidade brutal, desesperante, essa que irrompe, selvagem e assassina como em “Pesquei o meu filho”: “toda a extensão do bairro, mergulhada numa maré de água e dejectos, a escaparem das latrinas, levando a passear pelos becos do bairro, os vermes e toda a ordem de germes, que se misturam com as nossas vidas de zombies”. (26). Repare-se, já não são os espíritos, benfazejos ou malfazejos, habitantes temidos e amados das cosmologias tradicionais, ordenadoras, que são convocados, misturados na vida das personagens. Mas sim todo este fedorento e horroroso real que irrompe, na sua imundície, misturando-se na vida. E esta é uma tese, explícita, que atravessa, cruel, todo o livro.

 

Uma nada indita maldita vida, mergulhada na Sambrowera, o caos extremo, o desnorte social, que Salimo cantou em tempos, melodia que Furdela agora convoca para referir (81) o presente, descrevendo-o e classificando-o.

 

Um presente verdadeiro real devorador, captado na verdadeira “Fábula do Búfalo Africano”, desmanchado este pelas feras externas e pelos carrapatos internos, esses que diante do búfalo em estertores já “nem precisam empreender quaisquer esforços para lhe chegar ao sangue e sugá-lo” (21). Carrapatos, tão óbvios enunciados, que dirão ainda, em conto seguinte, com outra forma, mas com a mesma naturalidade “O mais importante agora é resolver os problemas de quem trabalha para o povo. O povo que espere” (37).

 

Por isso estão estas narrativas preenchidas com a des-graça, a des-esperança, essa proveniente da morte dos filhos amados e frágeis, causando os suicídios das personagens, atemorizados pelo sem horizonte ou, pior, por estes horizontes. Personagens que nos são apresentadas sem requebros, sem invólucros, sem contextualizações compreensivas. São breves, cruzam-nos num ápice, apenas lhes assistimos ao desastre.

 

Convocado para uma leitura atenta deste livro, para sobre ela ecoar as minhas impressões deparei-me devastado. O autor não vem fingir hipóteses ordenadoras, míticas ou ideológicas. E ele cruel? Ou inapto em sonhos futorólogos? Não penso assim. Furdela surge agora como símbolo do fluir da literatura moçambicana, submersa esta pela realidade dolorosa, não a refractando, mas reflectindo-a. Questão essa, ainda que outra e mais abrangente, a necessitar de uma reflexão a si dedicada, sopesando os efeitos literários dos ecos de tamanha urgência.

 

Ocorre-me ainda pensar historicamente o correr do país através das suas vozes ficcionais, algo até excêntrico a este momento festivo, que saúda o novo livro. Lembrar, sem intentar critérios valorativos estritamente literários, que Honwana escreveu “Nós matámos o cão-tinhoso” em 1964, interpretando o estupro colonial, e assim apontando e exigindo futuros. Lembro ainda os cruciais “Ualalaapi” e “Orgia dos Loucos” em que Khosa veio demonstrar a complexidade torturada do real e dos seus agentes, exigindo uma reflexão sobre os seus fundamentos e um re-sonhar dos caminhos. Lembro ainda que a primeira década de XXI assistiu a erupção da obra de Borges Coelho, do qual aponto o “O Olho de Hertzog” como verdadeiro manifesto, do cosmopolitismo constituinte, essencial, da história e sociedade moçambicana, nisso intentando anunciar as necessárias energias para um reenquadramento societal, um novo molde.

 

É com essa memória de leitor que, de repente, situando-me, situando-nos, já nesta segunda década do milénio, me ocorre a rotação havida no curso literário nacional. Pois, no seguimento de “Nghamula” de Aldino Muianga, um verdadeiro marco, pelo tom radical e devastador desse discurso sobre o processo nacional, num explícito inusitado, é também nestas “Hienas …” furdelianas que encontramos a marca totalmente actual da literatura moçambicana destes tempos. Onde não ocorrem recursos estilísticos, nas convocatórias cosmológicas, históricas ou ideológicas, para desenhar hipotéticos amanhãs, almejando sonhos, propostas rejuvenescedoras. Há, agora, apenas um cansado carpir. Pungente. Esmagador.

 

Termino lembrando algo, extra-literário. Há muitos que resmungam contra o silêncio dos intelectuais moçambicanos ou dos excessivos cuidados que vão tendo na palavra pública. Convirá, aos que invectivam, ler os escritores. Estes dolorosamente, decerto, enfrentando a malfadada Sambrowera. Não precisarão, por isso, de ser aplaudidos. Mas com toda a certeza que devem ser lidos. Urgentemente.

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Contribuição para a questão do Acordo Ortográfico em Moçambique

 

Pedro Correia é um jornalista português e fervoroso bloguista, animando, entre outros, os muito lidos blogs Delito de Opinião, onde também colaboro, e o És a Nossa Fé!, no qual também já escrevi.

Agora publica Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico, editado pela Guerra & Paz O livro já está à venda e será apresentado em Lisboa na próxima terça-feira, dia 21, a partir das 18.30, na Bertrand do Picoas Plaza (Lisboa). O Pedro Correia é um adversário deste documento atamancado e do seu bafiento substrato político. E o livro é uma sua contribuição para uma desejável iluminação em Portugal.

Fica aqui o aviso para os visitantes que residam em Portugal, para a participação no lançamento, se possível. E para a leitura e divulgação do livro.

Por cá, em Moçambique, onde a questão acordista é verdadeiramente marginal, uma verdadeira intrusão externa, reina a ideia da sua inevitabilidade a prazo. Pois, indepentemente de ninguém subscrever argumentos positivos em relação ao acordado, a ideia que vai brotando nos discursos sobre o assunto é a de que o AO90 terá que ser aceite, para que não fique Moçambique isolado no seio dos países que usam o português. E até, infelizmente, algumas editoras nacionais se apressaram a adoptar o AO90 que não está em vigor, algo verdadeiramente incompreensível. Até sob o ponto de vista económico, dado que os seus livros não são exportados (nem exportáveis ...).

Será este livro, acessível e inteligente, uma boa ocasião para se reflectir e discutir sobre o assunto. Por isso fica o meu aviso para os livreiros moçambicanos, que importem este "Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico" da editora Guerra e Paz. Alimentando uma possível discussão sobre esta intrusão intrometida, inútil, atrevida. Uma rasteira lusofonice. Estou certo que haverá leitores. E, até, poderá haver debate público.

E, até, comprometo-me, alguma blogo-publicidade.

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Quinta-feira, 16.05.13

Apoiar o Benfica?

 

No sábado vibrei com o golo de Kelvin, aquele com que, já no fim do jogo, o Porto derrotou o Benfica, assim quase quase roubando o campeonato que parecia decidido. Parei o carro, saí, entrei no restaurante mais próximo ("Cristal", na 24 de Julho), ainda vi a repetição do golo, ri-me de alguns conhecidos benfiquistas ali, tão desamparados estavam, troquei sorrisos cúmplices com amigos sportinguistas, ali algo seráficos mas contentes. Bebi uma cerveja.

 

Ontem, durante o dia da final da Liga Europa, gozei alguns amigos e conhecidos benfiquistas, anunciei "sou do Chelsea desde a mais tenra infância" (e era, ontem). Recebi alguns sms de benfiquistas provocatórios "Carrega Benfica", "A taça é nossa". A todos respondi "vão perder nos descontos". Não vi o jogo, fui dormir cedo. Hoje na alvorada leio que sim, perderam mesmo no fim, sorrio, contente, e em particular com a crueldade (bi-crueldade) do acontecido. Até lamento não ter visto em directo.

 

Ao longo dos últimos dias tenho lido várias declarações (até de sportinguistas) invectivando esta linha de sentimento, "anti-benfiquista" dizem. Nos jogos internacionais há sempre uns patriotas patrioteiros que vêm reclamar o supremo "bem da nação", como se um jogo de futebol fosse a batalha de Navas de Tolosa, um clube de futebol seja D. Afonso Henriques sonhando Cristo antes da batalha de Ourique e o jornal "A Bola" os "Lusíadas" em versão digital. Uma colecção de tontos a perorarem. Falando sério, uma colecção de gente desnorteada quanto aos seus valores.

 

Bill Shankly, mítico treinador que comandou o Liverpool durante 15 anos, disse algo que se tornou referência: "Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Eu posso assegurar que futebol é muito, muito mais importante.". É certo que haverá alguns malucos (holigões) que poderão ler isto literalmente (há gente para tudo). Mas o que está explícito aqui é que o futebol (e o clubismo) é outra coisa, não é liminar. Identidades opcionais, paixões cultivadas, formas de nos entrecruzar, de festejarmos, de cutucarmos, fazendo-nos juntos de modos não lineares.

 

E por isso surge a "rivalidade". Não somos adversários nem inimigos. Somos "rivais", vizinhos, queremos as mesmas coisas (as taças), que são super-importantes, aliás, são "muito, muito mais importantes do que a vida e a morte" (lá está, como disse Shankly), mas que, bem lá no fundo, não têm importância real.

 

Ontem ao fim da tarde bebi uma cerveja com dois amigos, ambos oriundos da Póvoa do Varzim. Benfiquistas, mas da Póvoa. Estava eu no meu chelseanismo militante, claro. E eles contaram-me da rivalidade lá da terra deles, entre o Varzim e o Rio Ave, clubes e terras vizinhas, limítrofes. Quando um dos clubes descia de divisão os adeptos do outro faziam-lhe, teatralmente, o funeral. Gozavam, até ao tutano, os adeptos rivais. Passado algum tempo seriam eles os gozados. É isso a rivalidade.

 

A gente, na antropologia, tem coisas escritas sobre o assunto, há já muito tempo. Chamamos-lhes "relações jocosas" ou "relações de gracejo" ["joking relationship" na wikipedia"]. Existem em inúmeros contextos, sob variadíssimas formas, mais ou menos institucionalizadas. São formas, só aparentemente paradoxais, de nos dizermos unos, comuns. "Rivais". Por isso mesmo a minha (verdadeira) alegria - pese embora o estado desgraçado do meu "grupo", Sporting, sobre o qual tanto tenho escrito in-blog no último ano, e mais ainda falado - com as derrotas do Benfica, do malvado Benfica, o gozo que me dá todo aquele sofrimento. Estamos "nós" mal? Sim. Mas que piada têm aqueles golos sofridos nos últimos minutos, estas dolorosíssimas derrotas, seguidas ainda para mais, do acabrunhamento em que "eles" agora vegetam. Que grande espectáculo. Que maravilha. ("E o Jesus ajoelhado no Dragão?, viram?").

 

Hoje mesmo enviarei cruéis mensagens aos amados familiares benfiquistas, aos meus queridos amigos (parentes espirituais), gozarei de viva voz com os vizinhos (concidadãos, nesta cidadania global da bola) adeptos da galinhola depenada. Porque a bola é para isto. O jogo deve ser limpo, leal (por isso a minha irritação com as aldrabices e com os adeptos da vitória a todo o custo, a toda a roubalheira). Para que o gozo seja limpo, leal. "Doloroso" para quem o sofre. Recíproco, para quando vier.

 

Quanto aos "éticos", os das grandes proclamações patrióticas, de lisura, da solidariedade? "Arranjem uma vida", como dizem os anglófonos. Ou, mais explicitamente, arranjem valores. Ou, mesmo, percebem-nos.

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de jpt às 04:24 | elo do post | comentar | partilhar | sublinhar
Quarta-feira, 15.05.13

Música Clássica em Maputo

Para a semana a "Temporada de Música Clássica em Maputo", suponho que o sucedâneo do anterior Festival anual. O folheto está aqui (pressionando a imagem ela engrandecerá) e o programa é consultável na sítio electrónico.

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A sambrowera em Aurélio Furdela

 

Para quem tiver interesse aqui deixo ligação ao pequeno texto "A sambrowera em Aurélio Furdela", que escrevi para participar no lançamento deste "As hienas também riem", que ontem aconteceu.

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Segunda-feira, 13.05.13

As hienas também riem, de Aurélio Furdela

Amanhã, terça-feira, dia 14 de Maio, cerca das 18 horas no Instituto Camões (ali na Julius Nyerere) será o lançamento do quarto livro de Aurélio Furdela, este "As Hienas Também Riem". A festa do livro tem um programa variado (e espero que tenha algum canapé).  O Furdela foi simpático e convidou-me para lhe apresentar o livro. Eu não sou um tipo da literatura, será uma estreia para mim, espero que não vá incomodar os participantes, apenas "ajudar á festa". Se algum dos visitantes daqui nos quiser acompanhar será muito bem-vindo. 

Repito, a partir das 18 horas, no Camões.

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A sessão desta semana dos seminários de Arqueologia e Antropologia

A sessão desta semana dos regulares seminários do Departamento de Arqueologia e Antropologia. Será amanhã, terça-feira, dia 14 de Maio, às 10 horas, no anfiteatro 1502 da Faculdade de Letras e Ciências Sociais. Desta vez cabe-me a mim falar. Passei os últimos meses na toca, naquele estado encanecedor, infelizmente recorrente. Ou melhor, e a la Peter Handke, naquele estado da "angústia do guarda-redes". Não antes do penalty, mesmo mesmo é aquela "angústia do guarda-redes antes da dispensa", que o o defeso está (sempre) aí. Enfim, a ver vou, como será este assomar.

Para quem se possa interessar o texto que suporta a apresentação (um velho esquisso para ser debatido, e esperando ser concluído) está aqui.

Acordismo Ortográfico

Shoprite, Maputo, porta de empurrar para a geleira das bebidas ...

Exemplo de fonética globalizante, aka glocalismos.

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Domingo, 05.05.13

Poachers

 

 

Ao longo dos anos bloguismo várias vezes me insurgi face às direcções do Sporting. O estado calamitoso do clube advém das práticas que estas assumiram ao longo de quase duas décadas. Sufragadas por sucessivas eleições. Pois, tal com em tantos outros contextos, manteve-se na massa associativa a crença que as elites sociais e financeiras têm alguma ligação (afectiva, ética) com o "bem comum" das comunidades a que aderem ou pertencem. Tudo isso sublinhado, potenciado, pelo "poder simbólico" que ser da "elite" possibilita. E, tal como em tantos outros contextos, torna-se agora certo que essa ralé elitista é uma corporação criminosa. E, pior, traidora de tudo o que pode trair.

 

Dito isto, quanto ao Sporting, muito há mais do que isso. Este ano é exemplo. Uma enorme trapalhada vinda de uma direcção carregada de problemas criminais (o presidente, com mácula de cidadania; Luis Duque com as trapalhadas municipais, o pérfido Ricciardi, acho que autor de processo contra o "Correio da Manhã" por este jornal o ter noticiado como arguido, o polícia "vigilante", enfim, uma catástrofe de gente). Ene treinadores. Uma "remodelação" de plantel no Natal. A sombra da descida de divisão. Depois Jesualdo forma uma equipa, jovem, limitada, e vem ao de cima. Tentando levar o clube até às competições europeias, um pequeno balão de oxigénio diante de um horizonte tétrico. Pois num cenário de clube arruinado, com "500 milhões de euros de défice", como disse esta semana o presidente Bruno de Carvalho.

 

Depois disto, na ascensão com a pax jesualda, apenas dois insucessos: a) contra o Benfica: O árbitro João Capela trucida as leis. Dois penalties por marcar, para além de tanta outra coisa (livros não marcados; aquelas entradas a matar sem serem vistas nem expulsões acontecidas). Como alguém disse "errar sempre para o mesmo lado não é humano"; b) hoje, contra o simpático Paços de Ferreira, não assinalado um penalti para aos 60 minutos poder passar para a frente. Como pode um juiz-de-linha, aka "árbitro assistente" não ver aquilo? Como pode o "melhor árbitro do mundo" não entender assim? Só não querendo.

 

Sem mais, o Sporting, ainda por cima nesta situação económica-financeira, está a ser abatido. Estes árbitros não são "limpinhos" como se diz. São poachers. Assassinos da instituição. Haverá um feixe de causas para estas acções. Nenhuma "limpa".

 

Tão maus como eles seguem os "intelectuais" portugueses, tantos deles vozes públicas assalariadas ou ajornadas, que olham para isto com a flatulência mental do apenas clubismo, reduzindo esta minha mágoa à azia do adepto de sofá. Acredito, firmemente, que quem gosta desta aldrabice, gosta dela em tudo o resto. É gente sem princípios. Por isso mesmo o país está como está. Com estes "intelectuais" no "arco da governação". Meros receptores deste tráfico criminal de sensações futebolísticas, de proto-orgasmos esfuziantes. Disponíveis, com tal, a todo o outro tipo de mercadoria roubada, ilegítima ou anti-ética.

 

A pele acima será a do clube. Cada vez mais me parece que assim será o futuro, e por isso preparo o luto. Mas não me parece que seja só o dele. Há muito mais a extinguir. E esta gente não sossegará enquanto não o conseguir. É omnívora. E voraz.

de jpt às 22:45 | elo do post | comentar | partilhar | sublinhar
Sábado, 04.05.13

ma-schambing

AL e jpt sempre bem acompanhados

AL e jpt sempre bem acompanhados

 

Hoje mesmo, alvorada acercando-se, em pleno simpósio aniversariante, subitamente uma polaroid ... E logo brota este texto ensaístico sobre a importância de ter um blog. Colectivo. (mana, agora vou tomar os medicamentos).

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Quinta-feira, 02.05.13

Politeísmo (37) - Dos esquecidos e das assombrações...

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de mvf às 21:57 | elo do post | comentar | partilhar | sublinhar
Quarta-feira, 01.05.13

O 1º de Maio na propaganda soviética

 Um dos legados mais interessantes, e a um tempo originais, que a extinta URSS deixou, pode verificar-se nos cartazes (posters) de propaganda de enorme qualidade produzidos ao longo da sua existência. Alguns defendem que Lenine terá sido o criador da primeira máquina da moderna propaganda - Goebbels não passará, portanto, de um seguidor atento e desenvolto - desde os mais singelos selos de correio, às esculturas monumentais, passando pelos enormes desfiles de glorificação do 1º de Maio, o Dia do Trabalho ou do Trabalhador e desde 1992 na Rússia designado por Dia da Primavera e do Trabalho (trad. livre),, que foi um dos mais importantes feriados do calendário na União Soviética. Ficam alguns exemplos do magnífico trabalho produzido pelo óbvio talento de varios artistas. Do trabalhor hercúleo e corajoso, liderando a luta de classes, ao olhar cândido e esperançoso de embebecidas crianças, até a imagens românticas e quase bucólicas de trabalhadores rurais, passando pelos simbólicos adereços dos valorosos atletas (flores para elas, espingardas para eles) há de tudo para todos. De notar que os artistas vanguardistas russos/ soviéticos, foram os percursores da incorporação dae fotografias no que agora se chama em bom Português, "design gráfico". 

 

Vosso

mvf

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

de mvf às 21:42 | elo do post | comentar | partilhar | sublinhar

Reservado ao SLB

Um grupo de indivíduos que se identificam com o bairro lisboeta do Casal Ventoso foram à Praça do Marquês de Pombal e no pedestal da estátua que lá habita grafitaram "Reservado ao SLB", já antevendo a festa da vitória no campeonato nacional de futebol. Nos locais públicos da palavra (jornais e blogs) vejo vários lamentos pela nada estética e até vândala atitude. E leio uma declaração dos serviços da câmara municipal lisboeta, dizendo que irão limpar a estátua e lamentando ter que gastar um qualquer milharzito de euros nisto. Fico estupefacto. Porquê? A cidade está pejada de grafitanços. Mesmo um pouco acima daquele local, na Fontes Pereira de Melo, a câmara entregou uns prédios devolutos - enquanto não eram transformados em torres de vidro pelos "industriais da construção civil" - à chamada "arte de rua" (em inglês, sempre). Lisboa é, literalmente, uma cloaca gráfica. Nos bairros históricos, nos bairros centrais, nos arredores.

Em assim sendo qual a razão desta tão selectiva vertigem purificadora? Que torpe preconceito leva a que se limpe o pedestal do "Marquês" e se deixe (e até promova) a javardice (meta)circundante. Um preconceito contra o Benfica? Contra o futebol? Contra o Casal Ventoso? Ou contra aqueles que não disfarçam a merda que fazem dizendo-a arte?

Apague-se antes a câmara, sff. E deixe-se esta "reserva". E parabéns aos benfiquistas ("Capelas" à parte, têm jogado à bola).

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Assunção Cristas.

 

A notícia é simples, e ligo para uma página que me parece ser do Bloco de Esquerda, e à qual chego através do facebook (aqui). E comprovo-a na SIC . As causas para a surpreendente e avassaladora hecatombe das abelhas europeias estão encontradas, um trio de pesticidas (tioametoxam, imidacloprid e clotianidin).  Os indícios científicos são relativamente explícitos, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (que julgo ser um organismo consultivo da Comissão Europeia) também o considera.

Agora houve uma votação no seio da Comissão Europeia para banir estes pesticidas, protegendo a população das abelhas. Não só se introduziram "nuances" (daquelas que minoram os efeitos positivos almejados) como sete países se recusaram a votar favoravelmente, impedindo a maioria qualificada na votação que permitiria uma rápida e eficaz política. Portugal, que neste assunto tem a tutela da ministra Assunção Cristas, num assunto desta gravidade ecológica decidiu ... abster-se. Em defesa das indústrias produtoras (Bayer, Syngenta).

É uma vergonha. Inadmissível. Que caia a ministra, já! E que se assuma, neste caso particular, uma veemência no combate a essa "guerra química".

 

E para que não se diga que tenho má vontade contra o governo ou a ministra, que fique explícito que Assunção Cristas veio a Maputo há pouco. A viagem foi risível, "correu mal" (na suave linguagem diplomática), uma pura pantomina. E este bloguista, que entre esplanadas foi ouvindo o habitual "vocês ....!" (entenda-se, "vocês" portugueses, que não há maneira de aprenderem) não me pus a blogar contra a ministra. Até porque nisto da incompetência para as relações externas e da falta de sentido de estado, a gente está mais do que habituado a encontrá-las nos políticos içados ao poder.

Mas nisto, nesta questão, francamente, é demais. Que vá já a ex-ministra. E com o ónus da indecência. A colher o desprezo dos compatriotas. Das várias "cores".

de jpt às 00:53 | elo do post | comentar | partilhar | sublinhar

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