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A frase do mês

por jpt, em 21.11.14

Converso com velho amigo, às tantas, como aqui não pode deixar de ser, as palavras embrulham-se no "estado da arte", como isto Portugal vai, a descrença nos poderes que têm estado e que vão estar. De repente conclui ele "como é que queres tu que isto esteja?, os gajos que mandam nisto em putos andaram a colar cartazes ....".

 

E mudámos de conversa ...

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publicado às 14:27

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Na próxima quarta-feira, 26 de Novembro, assinalar-se-á em Lisboa o cinquentenário da publicação de "Nós Matámos o Cão Tinhoso" de Luís Bernardo Honwana, livro crucial na literatura moçambicana. Na Faculdade de Letras será apresentada uma reedição (comemorativa), editada pela Alcance. E acontecerão conferências e conversas dedicadas ao livro e seu contexto, contando com várias participações, entre as quais Fátima Mendonça, Maria Alzira Seixo ou Luís Carlos Patraquim.

 

Quem quiser consultar o programa das actividades, que decorrem durante todo o dia, bastar-lhe-á para isso clicar aqui. Até quarta-feira.

 

 

 

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publicado às 13:48

A lembrar Craveirinha

por jpt, em 18.11.14

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Pinto Lobo, leitor de quem já falei, e que há uma década tem a paciência de aturar o ma-schamba e de me ir mandando documentação, enviou-me há algum tempo um texto que o escritor João Reis escreveu quando José Craveirinha morreu, já no longínquo 2003.

Partilho-o aqui.

 

E deixo-o também assim: 

 

Ao Meu Belo Pai Ex-emigrante
 
 
Pai:
As maternas palavras de signos
vivem e revivem no meu sangue
e pacientes esperam ainda a época de colheita
enquanto soltas já são as tuas sentimentais
sementes de emigrante português
espezinhadas no passo de marcha
das patrulhas de sovacos suando
as coronhas de pesadelo.

E na minha rude e grata
sinceridade não esqueço
meu antigo português puro
que me geraste no ventre de uma tombasana
eu mais um novo moçambicano
semiclaro para não ser igual a um branco qualquer
e seminegro para jamais renegar
um glóbulo que seja dos Zambezes do meu sangue.

E agora
para além do antigo amigo Jimmy Durante a cantar
e a rir-se sem nenhuma alegria na voz roufenha
subconsciência dos porquês de Buster keaton sorumbático
achando que não valia a pena fazer cara alegre
e um Algarve de amendoeiras florindo na outra costa
Ante os meus sócios Bucha e Estica no "écran" todo branco
e para sempre um zinco tap-tap de cacimba no chão
e minha Mãe agonizando na esteira em Michafutene
enquanto tua voz serena profecia paternal: - "Zé:
quando eu fechar os olhos não terás mais ninguém."

Oh, Pai:
Juro que em mim ficaram laivos
do luso-arábico Aljezur da tua infância
mas amar por amor só amo
e somente posso e devo amar
esta minha bela e única nação do Mundo
onde minha mãe nasceu e me gerou
e contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital
colono tão pobre como desembarcaste em África
meu belo Pai ex-português.

Pai:
O Zé de cabelos crespos e aloirados
não sei como ou antes por tua culpa
o "Trinta-Diabos" de joelhos esfolados nos mergulhos
à Zamora nas balizas dos estádios descampados
avançado-centro de "bicicleta" à Leónidas no capim
mortífera pontaria de fisga na guerra aos gala-galas
embasbacado com as proezas do Circo Pagel
nódoas de cajú na camisa e nos calções de caqui
campeão de corridas no "xituto" Harley-Davidson
os fundilhos dos calções avermelhados nos montes
do Desportivo nas gazetas à doca dos pescadores
para salvar a rapariga Maureen OSullivan das mandíbulas
afiadas dos jacarés do filme de Trazan Weissmuller
os bolsos cheios de tingolé da praia
as viagens clandestinas nas traseiras gã-galhã-galhã
do carro eléctrico e as mangas verdes com sal
sou eu, Pai, o "Cascabulho" para ti
e Sontinho para minha Mãe
todo maluco de medo das visões alucinantes
de Lon Chaney com muitas caras.

Pai:
Ainda me lembro bem do teu olhar
e mais humano o tenho agora na lucidez da saudade
ou teus versos de improviso em loas à vida escuto
e também lágrimas na demência dos silêncios
em tuas pálpebras revejo nitidamente
eu Buck Jones no vaivém dos teus joelhos
dez anos de alma nos olhos cheios da tua figura
na dimensão desmedida do meu amor por ti
meu belo algarvio bem moçambicano!

E choro-te
chorando-me mais agora que te conheço
a ti, meu pai vinte e sete anos e três meses depois
dos carros na lenta procissão do nosso funeral
mas só Tu no caixão de funcionário aposentado
nos limites da vida
e na íris do meu olhar o teu lívido rosto
ah, e nas tuas olheiras o halo cinzento do Adeus
e na minha cabeça de mulatinho os últimos
afagos da tua mão trémula mas decidida sinto
naquele dia de visitas na enfermaria do hospital central.

E revejo os teus longos dedos no dirlim-dirlim da guitarra
ou o arco da bondade deslizando no violino da tua aguda tristeza
e nas abafadas noites dos nossos índicos verões
tua voz grave recitando Guerra Junqueiro ou Antero
e eu ainda Ricardino, Douglas Fairbanks e Tom Mix
todos cavalgando e aos tiros menos Tarzan analfabeto
e de tanga na casa de madeira e zinco
da estrada do Zichacha onde eu nasci.

Pai:
Afinal tu e minha mãe não morreram ainda bem
mas sim os símbolos Texas Jack vencedor dos índios
e Tarzan agente disfarçado em África
e a Shirley Temple de sofisma nas covinhas da face
e eu também Ee que musámos.
E alinhavadas palavras como se fossem versos
bandos de sécuas ávidos sangrando grãos de sol
no tropical silo de raivas eu deixo nesta canção
para ti, meu Pai, minha homenagem de caniços
agitados nas manhãs de bronzes
chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias
almas esguias hastes espetadas nas margens das úmidas
ancas sinuosas dos rios.

E nestes versos te escrevo, meu Pai
por enquanto escondidos teus póstumos projectos
mais belos no silêncio e mais fortes na espera
porque nascem e renascem no meu não cicatrizado
ronga-ibérico mas afro-puro coração.
E fica a tua prematura beleza realgarvia
quase revelada nesta carta elegia para ti
meu resgatado primeiro ex-português
número UM Craveirinha moçambicano!

 

 

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publicado às 01:31

Para ouvir daqui a bocado

por jpt, em 17.11.14

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Resumo

 

Ao lado da África do Sul, famosa sociedade dada a extremadas discriminações identitárias, Moçambique parece um paraíso de cosmopolitismo e interculturalidade. Ainda assim, de entre as diversas comunidades etno-linguísticas e religiosas que compõem o tecido social do país, e que aparentemente coexistem pacificamente, encontra-se uma muito reduzida e heterogénea comunidade judaica que o trabalho de campo antropológico revela ser pautada por fracturas identitárias severas. Tal diversidade coloca em risco a sua própria continuidade, não fosse algum grau de tolerância e abertura necessárias na aferição de quem é judeu ou não, em Maputo. A etnografia demonstra haver desentendimentos entre os vários critérios de categorização identitária, entre os quais a lei judaica, a religiosidade, a classe e a cor são tidos como importantes. As noções de hibridismo, hospitalidade, globalização imaginada, apatridade e alteridade são no presente estudo incontornáveis, de modo a compreender quem se afirma ou é percepcionado como judeu, concretamente neste contexto africano específico.

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publicado às 17:24

E para fechar ...

por AL, em 16.11.14

Eu alertei, o Senador postalou o catálogo e fechamos agora com uma panorâmica - linda! linda! e graças ao Nuno - da exposição do "nosso" (é muito cá de casa, da nossa cooperativa) Miguel Barros inaugurada ontem em Toronto. Quereis mais? Ide, ide ao saite dele - Miguel - e passeai os olhos.

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 AL

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publicado às 16:03

Portugal já não é um país.

por mvf, em 15.11.14

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À Operação Furacão, ao caso  BPN, ao caso BPP, à Operação Monte Branco, ao caso BES/GES ou GES/BES, para referir as escandaleiras criminosas mais recentes e não mencionando outros gamanços e moscambilhas que ao pé de tudo isto não passam de uva mijona, de pecadilhos menores (mesmo não o sendo em absoluto), como os truques com os já distantes dinheiros do Fundo Social Europeu, o caso gastronómico dos robalos e da sucata com Armando Vara, um ex-ministro de Portugal depois arvorado em banqueiro e condenado por se ter pendurado no anzol ferrugento de um sucateiro, ou os casos académicos da Universidade Moderna e da congénere Independente, cursos superiores feitos a martelo, por correspondência ou qualquer outro método só ao alcance dos mais espertos e expeditos, luxos imobiliários ou motorizados com explicações mal amanhadas, tachos que mais parecem panelões em que prevalece o salto de trampolim do compadrio por troca com méritos provados, favorecendo naturalmente familia e amigos ou comparsas do partido (aqui leia-se no plural), e  tantas medidas políticas que beneficiando uns tantos, geralmente os mesmos, enquanto prejudicam todos os outros, geralmente nós,  esquecendo o bem comum e hipotecando quase sem remissão o futuro de Portugal,soma-se agora conhecimento da ponta visível do icebergue de matéria viscosa e mal-cheirosa da maior vergonha nacional, pela acção e envolvimento das ilustradas pessoas para já detidas pela Polícia Judiciária e pelas ligações perigosas que nos dizem terem. A vigarice passa-se nos VISTOS DOURADOS, também conhecidos em Português saloio por Golden Visas que, coitados, não têm culpa no cartório (pelo menos no paroquial porque nos outros não sabemos...) porque essa é somente dos alegados criminosos que, como se vai vendo, enxameiam a hierarquia do Estado. O negócio que poderia trazer eventuais benefícios para o país tornou-se rapidamente numa enorme vigarice que entra por alçapões cimeiros do Estado dentro e que mina profundamente a pouca confiança que restava nas suas instituições. No entanto, e parecendo um contra-senso, tenho impressão que a malta ainda não se apercebeu da gravidade de tudo isto. Vejam-se as ligações dos putativos autores da(s) golpada(s)  - o director nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Jarmela Palos, o presidente do Instituto de Registos e Notariado, António Figueiredo, a secretária-geral do Ministério da Justiça, Maria Antónia Anes - a ministros, ex-líderes partidários, os favores solicitados por Figueiredo ao amigo director do SIS, Horácio Pinto e que este não desprezou, e não é preciso grande esforço para perceber que isto está de pantanas. A culpa não é da ocasião que faz o ladrão, é deste que se aproveita daquela.

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Olhando para isto tudo sem qualquer pretensão moralista ou outra e sim triste, muito triste, por toda esta indecente choldra decadente continuar a aparecer nas televisões e jornais como se nada fosse com eles, sacudindo a água, ou melhor, a lama dos capotes de boa fazenda, emporcalhando definitavamente o nome da gasta Pátria, esquecendo quem representam. Só por isto que não é pouco, teria de ser inventado um correctivo exemplar para gente tão miserável. A estes fiéis servidores da coisa pública juntam-se ainda outros rapazes de fino recorte que, pela natureza da medida que depressa passou a esquema mafioso, vieram de fora. Isto é o pouco que sendo imenso se vai sabendo agora. Pode bem acontecer que inadvertidamente alguém puxe pelo cordel e se desmantele o castelo de cartas de um baralho viciado. E a dúvida que só um incauto apelidaria de infundada instala-se, ficando no ar a noção que pode não chegar a haver grandes, pesadas, penalizações para os prevaricadores - um eufemismo, está bem de ver.

Portugal deixou de ser um país, já nem sequer consegue ser um lupanar de 2ª categoria. Portugal é um lugar desesperado, um caso de polícia. Mas de polícia internacional.

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publicado às 19:19

Sobre Malangatana

por jpt, em 15.11.14

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José Paulo  Pinto Lobo é um leitor veterano e amigo do ma-schamba. Regularmente envia-me dádivas, que muito saboreio. Há pouco enviou-me esta, muito interessante. É um texto do escritor e jornalista João Reis sobre Malangatana, a propósito de uma exposição que o artista realizou em Macau. 

 

Aqui fica esta memória, o texto Malangatana em Macau: reflexos de uma exposição, publicado em Macau, em 1996 na Revista de Cultura.

 

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publicado às 07:34

Análise Social

por jpt, em 15.11.14

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 (Capa de "Análise Social", vol. III, 1965, nº12)

 

"O liberalismo português e as colónias de África (1820-1839)", artigo publicado na "Análise Social", vol. XVI (1º - 2º), 1980 (nº 61-62), um artigo de um grande historiador português, Valentim Alexandre. Claro que não posso afiançar ter sido o primeiro artigo que li na "Análise Social", mas é o primeiro de que me lembro, logo no primeiro ano da universidade numa iluminadora disciplina de História portuguesa regida por Miriam Halpern Pereira. Outros mais velhos poderão recuar ainda mais numa evocação biográfica deste tipo. Outros mais historiográficos poderão afiançar esta importância global da revista na cena académica nacional - olho hoje para o índice deste número e vejo-o afinal sumptuoso, naqueles tempos que agora imaginamos terem sido tão complicados para a investigação. A demonstrar também muita atenção aos novos, basta ver os nomes. Se constam artigos de intelectuais maiores de então (e depois) como José Augusto França, Manuel Braga da Cruz ou Joel Serrão, já surgiam (há 35 anos!) artigos de Fernando Marques da Costa, com quem tanto Moçambique vim a partilhar nestas últimas décadas, de António Hespanha, que felizmente veio a ser meu chefe, Augusto Santos Silva (raisparta na política mas um sociólogo extraordinário), José Pacheco Pereira, que veio a ser o meu professor universitário preferido (conjuntamente com Teófilo Barrilaro Ruas, alguém que continuo a recordar como o professor que gostaria de conseguir ser ainda que saiba que nunca o conseguirei), Robert Rowland que nós, da antropologia, tanto respeitamos, e tantos outros.

 

Vem esta babugem de ancião a propósito do fim do "affaire Análise Social" - que aqui glosei olhando o grafitismo nacional (I) (II), sempre irritado com essa doença infantil da afirmação pública. Muito saudável a notícia de que a suspensão da publicação do último número foi cancelada por decisão dos órgãos colegiais do Instituto de Ciências Sociais. Ainda bem, salvaguardando esta memória da revista. Ainda bem também porque contrasta com o "excitadismo" de tantos, logo aos gritos de "fascismo!", a deriva "grandolística" habitual. Pois aconteceu democracia: decisão errada, protesto público (e corporativo), debate institucional, consenso colegial, reversão. Excelente.

 

Neste debate acontecido noto, contente, algo muito saudável, louvável mesmo: num contexto em que o director actual do ICS suspendeu uma publicação e os seus dois antecessores publicamente o apoiaram, 60 doutorandos do ICS assinaram um documento contra a decisão. Este assumir de posições públicas deveria ser uma coisa normal, nada blogável. Mas num contexto nacional (numa "cultura"?) em que tanto se anuncia o medo de assumir posicionamentos isto foi ... refrescante. Esqueça-se o haja gente. Pois, como se vê, há gente.

 

Agora é ler a(s) "Análise Social". E bater nos artigos. E/ou louvá-los.

 

(E, já agora, o arquivo dos 51 anos da revista está aqui. Um filão, a vasculhar)

 

 

 

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publicado às 06:17

Ilídio Candja expõe em Bruxelas

por jpt, em 15.11.14

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Uma exposição do artista moçambicano Ilídio Candja - que há anos reside no Porto - em Bruxelas. Felizmente estará "afixada" até ao final do ano, ainda a poderei ver lá para os fins deste mês quando rumar ao bélgico norte.

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publicado às 05:59

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Nesta edição do CULTURA. Jornal Angolano de Artes e Letras, nº 67 (basta pressionar o título para aceder) está uma entrevista com Francisco Noa (páginas 13 e 14), homem sempre a escutar. Aqui aborda questões ligadas à utilização da língua portuguesa em Moçambique. Depois também, e com algum detalhe (o possível) numa entrevista a um periódico, a situação na literatura moçambicana. Destaco, para os interessados, as suas referências aos novos autores que se vão destacando.

 

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publicado às 05:45

Recado

por AL, em 14.11.14

Tenho aqui este vídeo desde finais de Outubro para partilhar e tenho-me esquecido. Aqui há atrasado li isto mas ocupações diversas viram-me adiando o postal. Hoje, finalmente, arranjei tempo para aqui o deixar. Em jeito de recado... (Do they know it's Christmas? Seriously?)

AL

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publicado às 04:27

Ainda os grafitis

por jpt, em 14.11.14

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Ainda os grafitis que tanto excitam os portugueses - a mais as tatuagens, hoje vi um careca que tinha uma teia de aranha que lhe cobria a calva cabeça!!!. Não há dúvida, apesar de tudo, José Gil tinha razão quando best-sellou aquele livro sobre o medo luso da inscrição e as pessoas compraram, leram e reagiram: inscrevem, tatuam-se e grafitam.

 

Mas em relação à compreensão desta viçosa demonstração sociológica de identitarismo e de reflexão crítica presente neste actual regime grafital tenho aqui este precioso contributo, uma peça precursora, a demonstrar que a luta identitária e rebelde já vem de longe (o grafitismo, não o tatuaísmo). 

 

Pois aqui deixo um heróico exemplar da resistência à globalização neo-liberal tardo-capitalista: um "fuck off", de origem latina como se sabe, fotografado em pleno bairro dos Olivais, na rua cidade de Bolama, ali entre o 7 e o 9, defronte ao enorme baldio das machambas populares, denotando decerto um dialéctico conflito de classes. Isto no início de 1980s (cerca de 81-83, presumo), uma originalidade pré-CEE, nada como a vida boa destes meninos ricos d'agora.

 

Aquilo é que eram tempos! E a gente é que os fez ...

 

(foto de Vilão)

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publicado às 00:55

Entretanto, no Canadá

por jpt, em 13.11.14

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O Miguel Barros é um velho amigo, conheci-o em Maputo nos fins de XX numa exposição que lá realizou. Passados anos percebi que era também amigo (ele é amigável, diga-se) de outros dos praticantes deste blog. Passou anos em Angola, fruiu o país - e nesse período ainda foi em família a Maputo, ocasião para um abraço de quem não nos víamos há tanto tempo. Depois aconteceu-lhe (como a outros) rumar a Norte. Norte mesmo norte, está há alguns meses no Canadá. E continua como sempre, activo. Depois de amanhã inaugura uma individual. O catálogo está aqui (bastará pressionar para ver).

 

Sucessos e, mais do que tudo, felicidades árticas, são os meus desejos.

 

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publicado às 22:31

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Texto para a edição de 12.11.2014 do “Canal de Moçambique”

 

Maputo-Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade

 

Nesta semana em que se comemorou o dia da cidade, assinalando o aniversário da sua elevação a esse estatuto, haverá várias formas de o celebrar. A melhor, decerto, será aquela de nela passear, repousadamente, escutando-a, vasculhando-lhe detalhes. Como a azáfama não costuma ser muito parceira desses deleites proponho outra forma: regressar a livros que lhe foram dedicados, (re)conhecer-lhe história e conteúdos.

 

E uma bela forma de nela entrar será através deste “Maputo – Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade”, mais uma das múltiplas e cuidadas publicações que António Sopa, figura incontornável da vida intelectual moçambicana, vem produzindo, neste caso ombreando com Bartolomeu Rungo. É um livro já com uma década (2005), editado pelo então Centro de Estudos Brasileiros (que depois se tornou Centro Cultural Brasil-Moçambique, em desnecessário mimetismo, pois a sigla CEB já era da cidade). Tratou-se de uma edição  popular, de preço acessível, um feito que prestigiou a instituição editora.

 

O livro é exactamente aquilo que o título promete: um cuidado roteiro histórico de Maputo. Nisso uma excelente introdução – e também memória. Por isso mesmo cito o seu início, que anuncia o projecto que nele está patente: “Quem chega a Maputo tem grandes dificuldades em reconstituir as origens do povoado. As referências quase que desapareceram e é preciso estar atento para vislumbrar no casario moderno da cidade os elementos arquitectónicos que lhe serviram de génese.” (p. 5).

 

(Texto completo pressionando aqui)

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publicado às 15:33

As portagens do alcaide

por jpt, em 10.11.14

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 (imagem colhida aqui)

 

Mesmo aqui ao lado, no escritório paternal, estão os 23 volumes da história de Portugal (oito naquela de Mattoso, quinze na outra de Medina). Poderia ir lá confirmar, ou vasculhar as restantes estantes, se esta minha ideia está correcta mas, francamente, não tenho tempo e energia. Fico-me neste meu senso comum, talvez polvilhado de incorrecções. A corrigir, se alguém me ensinar ...

 

Pois aprendi em tempos (já recuados) que com o liberalismo, após 1820-1832, se extinguiram as portagens no país. Tinha isto a ver com a extinção de direitos particularistas (senhoriais) mas também com uma nova concepção de país (nação, se preferirem), correspondente à modernidade. Uma nova perspectiva de cidadania também, uma isonomia (que se foi instalando processualmente) e uma igualdade no espaço geográfico, que correspondia à total liberdade de mobilidade no espaço efectivamente português (metropolitano, que ao tempo colonial o acesso às colónias era diverso).

 

Mas agora António Costa acaba de reinstalar portagens aos cidadãos: quem não for residente e cruzar o espaço lisboeta terá que pagar as moedas requeridas. Qual pequeno nobre, alcaide ou agrupamento de homens bons assentes na sua carta de foral, nos velhos tempos medievais. E nos séculos seguintes, do chamado Antigo Regime.

 

Conceptualmente é a medida mais reaccionária que já vi em 30 e tal anos de consciência de cidadania. Não é a mais gravosa. Mas é, de longe, a mais retrógada. Uma coisa inenarrável.

 

 

 

 

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publicado às 23:14


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