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Os falsos tradicionalismos

por jpt, em 21.12.14

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Amigo imbuído de caritativo (ou solidário) espírito natalício levou-me a um restaurante libanês. O vinho escolhido foi daquelas multiculturais paragens. Não será uma grande pomada mas é bebível e acompanhou bem o extenso rol de pratos abordados. O mais interessante é até o seu nome "The Emirs", a lembrar o quão tão moderno é isto do fundamentalismo islâmico, a contrastar com os que o acham "tradicionalista" (sejam os seus apaniguados, mui ciosos de que ecoam alguma verdade de antanho; sejam tanto dos que se lhe opõem - e bem, qu'aquilo é inadmissível - crentes que vêm de um passado que tenha existido).

 

Depois, na revista para o aeroporto e viagem, a Beaux Arts (Janeiro 2015 - com uma boa escolha das exposições para 2015 em registo francófono), leio esta interessante notícia "Na Arábia Saudita faz-se tábua rasa do passado" (p. 20): no frenesim imobiliário do país calcula-se que cerca de 98% dos sítios históricos foram derrubados desde 1985, e agora até se prepara um plano de constução que implica arrasar a propalada casa natal do profeta.

 

Chame-se-lhes tradicionalistas ...

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publicado às 20:53

44º templo: música para o Natal

por jpt, em 21.12.14

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A categoria "templo" - propostas de filmes musicais para o fim-de-semana - tem sido descurada aqui no ma-schamba. Pela minha parte porque tenho andado seco demasiado para a música, assim mesmo sem rodeios. Ensurdeci, calafetado.

 

Entretanto Jorge Campos, visitante regular aqui do blog, enviou-me a ligação para um filme. Decerto que prenda de Natal. Aqui fica então esta hora e meia de música, muito apropriada à quadra festiva que nos aprestamos a cruzar.

 

 

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publicado às 17:35

"Lusofonia" e "cooperação"

por jpt, em 21.12.14

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Na decoração de um modesto restaurante italiano em Bruxelas encontro um painel composto por dizeres sábios em múltiplas línguas e variados alfabetos. E afronto a minha falta de cultura humanística. Pois passei anos neste ma-schamba resmungando contra a tonta ideologia da "lusofonia" e a tosca prática da cooperação (ajuda pública ao desenvolvimento) portuguesa.

 

Quando, afinal, bastaria ter afixado este dizer de João de Barros, que condensa (denunciando o seu tempo e anunciando o futuro tempo que é nosso). Ensinassem-no às gentes do Estado e que ao Estado ascende ...

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publicado às 17:10

Num restaurante bruxelense ...

por jpt, em 21.12.14

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Afixado um painel com dizeres multilinguísticos (apropriado à pequena capital administrativa disto tudo). Entre eles este epítome da sageza, tão necessário. E tão desprezado por alguns, ornamentadores do silêncio merecido.

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publicado às 17:05

Boas Festas e Bom 2015

por jpt, em 21.12.14

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É uma campanha um bocado para o estapafúrdia, esta que cobre os pacotes de açúcar p'rá bica - para além de estatisticamente grosseira. Em cada pacote uma saudação para os patrícios que, em cada país, "lá fora ganham a vida". Tem sub-texto? Tê-lo-á, talvez, nos implícitos. Mas terá, no registo publicitário, muito mais isso do "onde há português logo há uma bica", conteúdo muito menos rugoso.

 

Enfim, serve isto para que deseje eu um "bom dia" - boa quadra festiva - aos (9224?, onde terão ido buscar o número?) portugueses que vivem em Moçambique. E aos outros todos. E aos d'outras nacionalidades que vivam nesses países. E que por este ma-schamba passem (para que possam receber estes benfazejos votos, claro).

 

E que 2015 seja um bom ano, com café, açúcar e o resto possível. Melhor que 14, caramba! Pelo menos que o meu 14, raisoparta ...

 

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publicado às 11:14

Como isto é

por jpt, em 21.12.14

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Estive uma semana em viagem, sem acesso à internet - para além de uns escassos momentos via telefone - e desligado de quaisquer órgãos de comunicação social. Vi apenas, num café, a edição em papel do Le Soir ecoando Monroe, perdão, Obama: "Todos somos americanos", assim reintegrando a Cuba ainda-castrista.

 

Regresso agora a casa e vejo o que aconteceu por cá. A coisa das gravações Espírito Santo, a mostrar a quem não acreditasse (acreditava) como isto é. E ainda virá  mais. Mas o momento significativo desta semana foi mesmo a visita do presidente do F.C. Porto ao detido José Sócrates. Fico a pensar no que pensarão alguns amigos e bastantes conhecidos meus, tão adeptos deste último e que há décadas vociferam contra as trafulhices do primeiro.

 

Enfim, o pior de tudo são mesmo as pessoas. Os apoiantes, entenda-se.

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publicado às 04:20

Vitamina cerebral

por AL, em 17.12.14

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Navegava aqui há uns dias na net quando me deparei com este artigo de basto interesse e que aqui partilho. O artigo consiste nas respostas de cientistas e filósofos a duas questões bem interessantes:

  1. Existe alguma coisa que a ciência não pode explicar?
  2. Existe alguma coisa que a ciência não deva explicar?

Vale a pena ler, ainda que em inglês.

AL

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publicado às 12:11

"E não se pode exterminá-los?"

por VA, em 15.12.14

Precisamente há um mês, devia ter (r)estreado no Centro Cultural da Malaposta a peça de teatro "O Matadouro Invisível" de Karin Serres, uma produção própria que comemorava os 25 anos daquele espaço. 

Mas, inesperadamente, a reposição foi cancelada. O aviso oficial só nos chegou, aos actores, no dia em que a peça devia ter subido à cena.

O link em baixo resume os acontecimentos de forma fidedigna. Quanto às políticas culturais da Câmara Municipal de Odivelas só resta denunciar "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete".

 

http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2014-12-14-Peca-de-teatro-cancelada-no-dia-de-estreia-no-Centro-Cultural-da-Malaposta

 

VA

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publicado às 11:13

Simpósio e aniversário

por jpt, em 12.12.14

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Ontem, quinta, houve simpósio ma-schamba ao jantar: a AL, a VA, este jpt, o MVF juntámo-nos ao jantar ali num indiano, saboroso, na baixa pombalina. O FF, coimbrão, e o PSB, agora em curso capetonian, e que aqui honorários dados seus silêncios prolongados, estiveram presentes na alma dos convivas.

 

Discorremos sobre nós próprios, "ravissantes" e jubilosas elas, mais amargos e envelhecidos nós-eles, e alguns outros assuntos. No final eu e o MVF após os deveres cavalheirescos, aportámos ao British Bar, ali ao Cais do Sodré, e prolongámos o serão. De súbito lembrámo-nos que o ma-schamba cumpriu 11 anos há alguns dias, esqueceramos isso. Há 11 anos bloguei isto, um trecho do grande Ruy Duarte de Carvalho, abrindo esta mania de blogar, de botar. E foi mais ou menos então que escolhi como epígrafe isto de Nassar: "…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…".

 

Ri-me. Tanto por o blogar ser agora tão menos importante, que até esqueço (esquecemos) o aniversário do estaminé - coisa em tempos tão cuidada, saudada por outros e festejada em casa própria. Mas ri-me também por a epígrafe, sempre escolhida por aparentar paradoxo, o ser hoje verdadeiramente contraditória. Pois passei o jantar a resmungar, repetir, o contrário. Vivemos momentos únicos no país.  E vou crente que a cada um compete resistir, "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete", disse-o vezes sem conta, "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete", contra os poderes que se horizontam, essa tropelia neo-socrática que aí vem. Tudo recomeçará?, os craxianos vão reganhar? Quase de certeza, que é deles que o povo gosta (é ver os académicos tugas a quererem dinheiro para a sua "investigação", para a sua "cultura"). Seja assim. Mas cumpre à gente resmungar, vociferar contra isso. Barulhentos o possível. Entre outras coisas, essas mais do silêncio devido.

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publicado às 02:09

No feedly (22)

por jpt, em 11.12.14

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Amargo:

 

- "O PS não aprende", no Vida Breve.

 

- "O último refúgio ...", no Banda Larga.

 

- "A grande questão política do nosso tempo", no A Barriga de Um Arquitecto (que acrescenta o educativo "Sabia que os bancos criam dinheiro do nada?".

 

 

- "Minha boca doce", no Escrever é Triste.

 

- "Crumbs, um livrinho à conquista do mundo", no Cadeirão Voltaire.

 

- "Keith Jarrett e os outros (dois)", no Sound+Vision.

 

- "Lulas suicidas", no Espumadamente.

 

- "O colonialismo nunca existiu", no Buala.

 

- "Ela" (a morte?), no Apenas Mais Um.

 

- "A Síndrome de Ernesto e a multiculturalidade / Ser professor em Moçambique", um texto bastante problemático no Raposas a Sul.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 15:54

Portugal, país de poetas

por mvf, em 11.12.14

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 Pouco se pode dizer sobre o  escrito e o descrito (prédio em Lisboa)

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publicado às 08:39

A velha livraria

por jpt, em 11.12.14

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Há algumas semanas, num sábado de manhã, fui buscar a Carolina ao Clube Hípico, ao Campo Grande, para onde fora com umas das suas raríssimas amigas de Lisboa. Nos seus 12 anos ela mal conhece a cidade, que sempre desusou, e por isso regressámos em modo pedestre. Atravessámos a Torre do Tombo, indo-lhe à porta, para que conhecesse ela onde eu trabalhei um ano e tal, cruzámos a famigerada "Direito" onde andei um mês e meio antes de conseguir fugir, descemos ao Colégio Moderno, a rua do presidente Soares e da escola das suas amigas de cá, e fui-lhe mostrar as livrarias daquela rua, que frequentava diariamente naquele ano e meio de trabalho nos então "Arquivos Nacionais/Torre do Tombo", no início dos 1990s - frequência diária pois não se podia fumar lá dentro, o ambiente era um bocado tétrico, um servilismo patético para com a então vice-directora, uma coisa enjoativa, um medinho sempre presente. Chegado ao almoço tinha que sair dali, esquecer a cantina local, procurar um sol afastado daquele "pidesco" ambiente [o arquivo da PIDE estava num andar superior, talvez infectasse o edifício], abandonar a ditadura do relógio de ponto que fazia aquela gente perfilar-se na hora exacta da saída, o mundo do funcionalismo público no seu pior formato.

 

Saía então todos os dias, em alguns percorria os poucos restaurantes na área circundante, nos outros vasculhava as duas livrarias ali à "João Soares", uma especializada em livros estrangeiros (e da qual não me lembro o nome) e a outra a "Lazio", apinhada de edições nada recentes. Um manancial de livros, a comprar, folhear, registar para "mais tarde". Ou apenas passar o tempo. Recordo-me de, quantas vezes, ali me enjoar com o pó dos livros, um prazer paradoxal. 

 

Pois fui lá agora mostrá-la à Carolina, não porque pense eu que vá ela virar bibliofaga, menina que é dos tempos electrónicos e pós-pdf, apenas para partilhar onde gostei. Estava fechada a "Lazio", com uns papéis nas janelas, mas nela entravam dois homens, com ar diligente. Julguei assim ser coisa de arrumações ou rearranjos. Mas leio agora que fechou.

 

Que feche uma livraria daquelas no centro geográfico do mundo académico lisboeta espanta-me. Ou talvez já nem isso. Pois apenas vai assim.

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publicado às 08:19

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Sobre a empresa Gazprom, as tríades russas, o servilismo alemão, a camorra italiana, etc e tal nada digo, nada posso fazer. Mas sobre aquilo  em que posso ter alguma, ínfima, influência, sim, há que dizer. 

 

Irrita-me, e de que maneira, que o Sporting jogue, no campeonato nacional, em Paços de Ferreira ou no Estoril vestido de Paços de Ferreira ou Estoril. Irrita-me muito mais que jogue no estrangeiro à Paços de Ferreira ou à Estoril.

 

Fomos eliminados por causa da "rosca" contra o Maribor ou por causa dos mafiosos russos? Nada disso. Fomos eliminados por não nos respeitarmos, por jogarmos num radical amaricado amarelo. Quem não respeita a sua história, a sua identidade, não merece mais.

 

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publicado às 23:40

Fotografia colonial portuguesa

por jpt, em 10.12.14

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O tipo de livro que desperta imediato interesse, vera água na boca, este  "O Império da Visão: Fotografia no contexto colonial português", organizado por Filipa Lowndes Vicente (de quem li há algum tempo um livro delicioso [e sábio], o "Outros Orientalismos", exemplo de reflexão imaginativa e ágil). Este de agora é um volume com a participação de vários autores.

 

Será apresentado amanhã, quinta-feira, dia 11, às 18h30m, no agora célebre Instituto de Ciências Sociais (ali entre a Av. das Forças Armadas e a Biblioteca Nacional) por Isabel Castro Henriques, que é em Portugal uma verdadeira referência na história de África.

 

Não acredito (crise e, mais do que tudo, penacho académico - o também dito blaseísmo, que por cá tanto abunda) que sirvam chamuças no fim. Mas ainda assim justifica-se a ida, em busca do desconto do dia no preço do apetecível livro.

 

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publicado às 23:21

Peniche

por jpt, em 10.12.14

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Peniche é tão longe como o é a Manhiça mas o certo é que não ia lá há mais de 30 anos, coisas da inércia. Quando lá terei ido? Não sei, pois constato agora que nem tinha memória da terra. O Pedro levou-me lá, coisas de ter ele uma actividade universitária de "extensão" na escola secundária local, a "Árvore das Memórias", assim a intitula ele.

 

Ao seu desafio logo disse que sim, pois para além de tudo o mais prometeu-me pagar o almoço. Assim fomos, bem recebidos na escola, um robusto edifício "Estado Novo tardio" (1957, acho) em muito bom estado, já bem acrescentado nesta alvorada de milénio. Assisti à sua sessão numa turma super-animada e enérgica de um curso técnico-profissional (daqueles que a chanceler Merkel nos recomenda), da qual gostei imenso, vinte jovens a desmontar as preconcebidas e preconceituosas ideias sobre a "decadência (geracional) do império romano".

 

A simpaticíssima colega que nos acolhera dera-nos um brifingue ("sinopse" em português arcaico) sobre a natureza e a sociedade penicheira, detalhando-se face à nossa particularmente enfática curiosidade gastronómica. Foi-nos assim recomendado o alfaquique frito com açorda de ovas ou um sequinho (de cantaril), não deixando de nos avisar sobre os "esses de amêndoa", ditos como prenunciando um júbilo final. O local que acabámos por escolher para culminar a nossa penichice foi o restaurante "Sardinha", do qual não retirámos razões de queixa. Ainda que, devido à situação proto-calamitosa que nos acomete, nós lumpen-intelectualidade, eu tenho prescindido das degustações regionais, algo mais dispendiosas, e me tenha ficado pelo quase-sempre prestável peixe-espada grelhado, um vintage dos frutos do mar. Mas que ali nem grande coisa. O Pedro sabe da poda e explica-me: "estão proibidos [pelo demo ASAE] de grelhar em carvão - só nas "festas" o podem fazer - e os grelhados ficam assim, desenxabidos". A ecologia tem custos, assumo.

 

Depois percorremos a Fortaleza, perdão, o Forte de Peniche. O Pedro doutorou-se sobre a Ilha de Moçambique, eu andei por lá bastante, aos caídos, isto de fortalezas (perdão, fortes) chama-nos, apela-nos. Surpreendeu-me o tamanho daquilo, imponente. E, sem saber da sua história, quem terá tido a ideia de a instituir assim, imponente, naquela ilha [Peniche era uma ilha? acho que o ouvi dizer]. Assim posta exige uma leitura sobre a história da estratégia defensiva desta nossa costa.

 

Percorremos o parco museu do forte, a lembrar a prisão do "Estado Novo". Depois todo o terreiro daquilo - tem um museu (municipal) que não visitámos e uns ateliers de artistas locais - uns guerreiros em metal a lembrar a arte étnica da África Austral d'agora, aquilo de transformar o espólio de armas em arte, mas aqui talvez com menos arreganho imaginativo. Acima de tudo fico estupefacto, de novo, agora vendo-o de dentro, com o tamanho do forte. E, claro, com o seu desuso. Que fazer do verdadeiro mamarracho? Vários edifícios, das várias levas de construção, devolutos. Parece-me aquilo aprisionado, ainda que já não prisão, da museologia. Turismo, serviços, comércio, algo tem que ali entrar, verdadeiro mausoléu de um tempo que vai passando. 

 

No final a exposição do centenário de Cunhal. Que fique explícito, eu gosto de Cunhal, por motivos estéticos e familiares. Mas o que encontro em exposição no edifício público é uma mescla da sua invocação e da evocação da prisão "dos tempos". É a narrativa PCP colocada em edifício público. É muito legítima, mas é isso. Como se entregássemos os palácios às narrativas monárquicas e os templos às narrativas eclesiásticas. Falta ali qualquer coisa, em termos de tratamento. Por exemplo? Visitámos a sala final acompanhados de um casal. Francófono. Nem uma legenda em língua estrangeira. O que restou do internacionalismo proletário?, pelo menos ...

 

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publicado às 18:59


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